
Livro Branco de Defesa: Pongyang alerta para provocações e risco de 'reinvasão' japonesa

O analista norte-coreano de segurança Kang Won Chol classificou nesta terça-feira (11) o Livro Branco de Defesa aprovado neste mês pelo Japão como um documento orientado à "reinvasão" e voltado à "legalização da máquina de guerra" ao caracterizar a China, a República Democrática Popular da Coreia e a Rússia como ameaças crescentes.

O governo japonês justifica assim um robusto programa de rearmamento que inclui sistemas de inteligência artificial (IA) desenvolvidos nos Estados Unidos, mísseis de longo alcance e estreitamento da aliança militar com Washington.
Pyongyang alertou que "a comunidade internacional deve redobrar a vigilância contra a tendência neomilitarista do Japão, que ameaça destruir seriamente a paz e a segurança regionais".
Escalando tensões
O documento enfatiza lições do conflito russo-ucraniano, destacando importância de drones, produção escalável e estoques adequados.
Tóquio planejaimplementar sistemas de IA americanos — incluindo o Maven Smart System da Palantir e o Lattice da Anduril — para acelerar decisões militares. O governo considera usar uma plataforma doméstica como "centro de comando" que gerenciaria múltiplos sistemas estrangeiros, buscando mitigar riscos de dependência tecnológica.

O Japão já atingiu 2% do PIB em gastos militares e solicita orçamento recorde de US$ 56,1 bilhões para 2027, desenvolvendo mísseis de maior alcance e capacidades antisuperfície.
Críticas ao documento
Além do alerta norte-coreano, o governo da China acusou o Japão de fabricar "falsas narrativas" sobre ameaças periféricas.
"Isso nada mais é do que um ladrão gritando 'pega ladrão'. Uma desculpa para o Japão afrouxar as restrições à sua expansão militar. Expressamos forte insatisfação e firme oposição a isso", afirmou o porta-voz da chancelaria chinesa Chen Xi, nesta terça, citado pelo jornal Global Times.
A Coreia do Sul, por sua vez, protestou contra reivindicações territoriais "injustas de soberania sobre Dokdo", região também conhecida como os Rochedos de Liancourt, localizados entre a Península Coreana e o arquipélago do Japão.
"O governo da República da Coreia insta o governo japonês a retirar imediatamente tais reivindicações", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Park Doo-soon, na semana passada.
Para analistas, a capa estilo mangá do documento foi criticada como "maquiagem política" destinada a tornar palatáveis políticas militaristas para o público jovem.
"Mangá é uma das formas de comunicação mais amplamente aceitas na sociedade japonesa", declara Liu Jiangyong, professor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Tsinghua, à imprensa chinesa.
"Mas por trás dessa aparência amena, há um documento que amplifica as chamadas ameaças periféricas para normalizar gastos militares mais elevados e o rearme contínuo", acrescentou.

