O presidente russo Vladimir Putin declarou, em sessão do Conselho de Ciência e Educação realizada em Novosibirsk, que a soberania e o desenvolvimento do país, inclusive na área de defesa, dependem da velocidade com que as inovações tecnológicas são implementadas.
"Quero enfatizar novamente que, no mundo moderno, literalmente tudo depende da velocidade de criação e, claro, da implementação de inovações: nossa soberania, o desenvolvimento da economia, a solução das tarefas civis e de defesa mais importantes, que agora estão fortemente interligadas em termos tecnológicos", declarou o presidente.
Putin enfatizou que a sessão abordou questões sistêmicas e fundamentais sobre quais decisões e mecanismos irão acelerar significativamente o desenvolvimento de tecnologias futuras. Segundo o presidente, alcançar esse objetivo exige o foco e a integração eficazes dos recursos científicos estratégicos da Rússia, incluindo escolas de pesquisa, recursos avançados de computação digital e coleções únicas de material biológico estabelecidas por cientistas russos de renome, como Nikolay Vavilov.
Pesquisas científicas na Rússia
O presidente russo lembrou que essas coleções começaram a ser reunidas em São Petersburgo durante o reinado de Pedro, o Grande, em 1714. "Depois, Vavilov deu uma contribuição excepcional, de nível mundial. E, na época soviética, tudo isso continuou a se desenvolver. Vale lembrar o período da Grande Guerra Patriótica, quando os cientistas em Leningrado passavam fome, mas não comiam um único grão ou uma única batata. Tudo isso foi coletado de geração em geração ao longo de séculos e décadas", observou.
Putin também enfatizou que a pesquisa fundamental sempre teve, e continua a ter, dimensões relacionadas à garantia da defesa e da segurança nacional do país, bem como ao desenvolvimento de tecnologias promissoras e equipamentos bélicos. "É claro que essas questões não estão diretamente relacionadas à reunião de hoje, mas devemos compreendê-las claramente ao formularmos nossos objetivos na esfera científica, no campo das comunicações, das tecnologias quânticas e biotecnológicas, no espaço e em novas energias, incluindo a fusão termonuclear", destacou.
O presidente russo destacou o abrangente programa de desenvolvimento de instalações de classe megacientífica, que permitiu à Rússia se posicionar entre os líderes mundiais em infraestrutura científica complexa. Putin lembrou as decisões tomadas em 2018 a respeito da implementação do programa, incluindo a criação da Fonte de Fótons do Anel Siberiano (SKIF), atualmente um dos aceleradores de partículas mais potentes do mundo.
Ele também indicou que a Rússia criou, de forma independente, cerca de 30 posições críticas para a construção do navio, depois que alguns parceiros se recusaram a fornecer tecnologia.
Gestão e financiamento adequados
O presidente observou que a lógica do desenvolvimento científico e tecnológico exige mudanças nas abordagens de gestão e financiamento da infraestrutura de megaciência. "Sua expansão e utilização devem se tornar prioridade no planejamento do orçamento científico do país", enfatizou, alertando que os resultados científicos não podem ser desperdiçados.
"Precisamos organizar o trabalho de forma que as empresas e companhias nacionais atuem como clientes diretos de soluções científicas e tecnologias inovadoras, assumindo compromissos claros para criar produtos competitivos e bem-sucedidos com base nelas", concluiu Putin.