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Gigante diplomático: Celso Amorim diz que países europeus pedem ao Brasil interlocução com a Rússia

Assessor especial de Lula rebateu opositores e afirmou que diplomatas europeus veem o Brasil como um dos poucos países capazes de manter diálogo simultâneo com Moscou e o Ocidente.
Gigante diplomático: Celso Amorim diz que países europeus pedem ao Brasil interlocução com a RússiaVinicius Loures / Câmara dos Deputados

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (12) que países da Europa Ocidental têm procurado o Brasil para pedir que o governo brasileiro atue como mediador nas relações com a Rússia.

Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Amorim disse que foiprocurado por embaixadores e ministros europeus, além de haver contatos diretos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros integrantes do governo.

"Eu tenho sido procurado, eu pessoalmente, em alguns casos o presidente, em outros casos outros funcionários, mas eu posso falar do que eu sei, por embaixadores e ministros de países da Europa Ocidental que pedem a nossa interlocução com a Rússia", afirmou.

A ideia que reforça a potência da diplomacia brasileira foi apresentada por Amorim ao rebater opositores do governo que questionaram alianças com países fora do eixo do Ocidente.

"Porque dizem que o Brasil é um dos pouquíssimos países que tem interlocução com o Ocidente e com a Rússia", completou, sobre os diplomatas europeus.

Cooperação com a Rússia

Amorim também comentou a recente visita do secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolay Patrushev, ao Brasil. Segundo ele, a agenda teve como um dos principais focos a cooperação naval.

O assessor especial afirmou que Patrushev manteve "intensas e positivas discussões" com o comando da Marinha brasileira. Entre os temas, mencionou a possibilidade de desenvolvimento de embarcações para operações fluviais com propulsão elétrica.

A cooperação também teria abordado pesquisas na Antártida e o acesso brasileiro a informações sobre atividades no Oceano Ártico. Para Amorim, a experiência russa nessas áreas pode ser de interesse para o Brasil.

O diplomata rejeitou, porém, a ideia de que a política externa brasileira seja pautada por questões ideológicas.

"Não há nisso nenhuma... nenhuma preferência ideológica. Estamos prontos a fazer o mesmo com os Estados Unidos, prontos a fazer o mesmo com a França. Aliás, já fazemos em alguns casos", declarou.

Interesse nacional

Amorim afirmou que, ao ampliar a cooperação internacional, o Brasil também precisa preservar seus interesses estratégicos e suas riquezas naturais.

"Mas queria também dizer que, em certas áreas fundamentais, o Brasil não pode esquecer o interesse nacional", afirmou.

Segundo ele, a orientação seguida pelo governo Lula inclui a proteção dos recursos naturais e o desenvolvimento de capacidades nacionais em setores considerados estratégicos.

"Os nossos minerais críticos não podem se tornar uma mercadoria vendida no mercado internacional a preços ridículos e sem beneficiamento interno", disse.

Amorim também defendeu o fortalecimento da inteligência artificial brasileira como forma de enfrentar desafios atuais e futuros. Ele citou uma reunião realizada na terça-feira (11) pelo presidente Lula sobre o tema.