O deputado federal General Girão (PL-RN) afirmou, nesta quarta-feira (12), que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve "ousar autorizar tropas chinesas" no Brasil sem aval do Congresso Nacional. A declaração foi feita durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, em questionamento ao assessor especial da Presidência Celso Amorim.
"Eu espero somente que o seu governo, o seu presidente, não queira ousar autorizar tropas chinesas aqui dentro, sem autorização do Congresso Nacional. Só espero que isso não venha a acontecer", disse o parlamentar.
Ao comentar declarações de Amorim sobre acordos firmados nas Américas na década de 1930 e sua relação com a Segunda Guerra Mundial, Girão citou o nacionalismo de Adolf Hitler e Benito Mussolini. "Na Europa até concordo, nacionalismo hitleriano, italiano também, do Mussolini, mas na América, era América para os americanos", declarou o parlamentar, argumentando que o Itamaraty deveria ser norteado pelo princípio de "Brasil para os brasileiros".
Amorim havia afirmado, em uma crítica ao protecionismo do governo Donald Trump, que o uso de tarifas e de acordos recíprocos na década de 1930 teve grande responsabilidade pela eclosão da Segunda Guerra Mundial. Segundo o assessor especial da Presidência, "qualquer historiador medianamente competente" sabe disso.
Tropas chinesas no Brasil?
Apesar de Brasil e China terem assinado, em 2011, um acordo formal de cooperação em matéria de defesa, que prevê intercâmbio de experiências, visitas e contatos entre militares e educação militar, o documento não estabelece autorização automática para o envio ou o estacionamento de tropas chinesas em território brasileiro. O acordo foi encaminhado pelo governo brasileiro ao Congresso Nacional somente em julho de 2026, tramitando, justamente, no próprio poder Legislativo.
Ao comentar a questão da defesa, Amorim explicou que a abordagem do atual governo não busca, "de maneira alguma, subordinar a nossa soberania à presença de outros países". "Nem da China, nem dos Estados Unidos, nem da Rússia, nem de nenhum deles. Isso aqui é uma questão brasileira".
Ele também rebateu críticas de parlamentares da oposição e descartou a ideia de que o Brasil tenha "se aberto totalmente à China" ou se tornado dependente de Pequim:
"Se os senhores olharem as estatísticas mundiais, vão ver que o crescimento das exportações da China é igual para outros países que adotaram políticas totalmente diferentes. A China é o maior exportador para a Argentina, é o maior exportador para o Chile, é o maior exportador para o Peru. Então, não foi o Brasil que se abriu à China. A China que se tornou mais competitiva do que os outros e entrou nesses mercados. Essa é uma observação a ser feita", pontuou.