Vice-presidente dos EUA revela culpado pelo crescimento do 'socialismo' entre jovens

J.D. Vance reconheceu preocupações econômicas e defendeu a política do governo Donald Trump, em meio ao aumento do apoio aos Socialistas Democráticos da América.

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou nesta sexta-feira (14) que o Partido Republicano, que atualmente governa o país, tem parte da responsabilidade pelo aumento do interesse de uma parcela dos jovens norte-americanos pelo "socialismo".

"Meu aviso aos meus colegas republicanos seria: se não acertarmos nessa questão, não culpem os jovens por simpatizarem com o socialismo. A culpa é nossa", declarou à emissora Fox News.

Vance mencionou preocupações econômicas dessa parcela da população que, segundo ele, estaria levando ao aumento do interesse na ideologia, a qual já classificou como "perigosa e destrutiva".

"Eu diria a esse jovem que, como cidadão americano, você merece ter uma vida boa neste país e merece ter um governo que facilite para você constituir família, ter condições de pagar por uma boa educação, conseguir um bom emprego e comprar uma casa", declarou o vice-presidente.

Para o político, a agenda econômica do governo Donald Trump está promovendo resultados positivos para essa parcela da população. "Estamos vendo trilhões de dólares em novos investimentos neste país, o que significa empregos de qualidade para a classe média, para jovens, em todo o nosso país", argumentou.

Nesse cenário, Vance pediu aos republicanos que não subestimem as preocupações dos jovens norte-americanos. "Não se acaba com o socialismo jogando slogans sobre o livre mercado na cara das pessoas", afirmou ele. "Por mais que eu adore o livre mercado, acaba-se com o socialismo melhorando a vida das pessoas, e é isso que estamos tentando fazer todos os dias", acrescentou.

Socialistas Democráticos da América

A declaração de Vance ocorre após os Socialistas Democráticos da América (DSA), uma organização que sobrevivia à margem da política americana, ganhar cada vez mais destaque no Partido Democrata. Desde a eleição de Zohran Mamdani para a prefeitura de Nova York, o grupo acumulou vitórias internas importantes, como no caso das primárias pelo Senado em Michigan, com Abdul El-Sayed, e em Minnessota, com Peggy Flanagan.

O número de filiados da organização também teve um salto notável. De cerca de 24 mil filiados em 2017, o grupo chegou a mais de 120 mil no 4 de julho deste ano, tornando-se a maior organização socialista da história americana — superando o Partido Socialista de Eugene Debs, que atingiu 113.371 membros pagantes em 1912.

Metade deste total se inscreveu após o fim de 2024, no contexto de protestos contra genocídio palestino de Israel em Gaza a universidades de todo o país e da reeleição do presidente Donald Trump.

Entre as principais bandeiras do grupo, estão a democracia multipartidária, controle de aluguéis, fim dos colégios eleitorais, abolição da Imigração e Controle de Alfândega (ICE), jornada de trabalho de 32 horas semanais, saúde e educação gratuitas.

A reação do Partido Republicano se mostrou efusiva frente à clara defesa de pautas à esquerda da tradição democrata.

"Bárbaros estão dentro dos portões", clamou o presidente da Câmara, Mike Johnsonalertando que "o comunismo não é mais ameaça distante". Similar e mais notoriamente, o presidente Donald Trump, no âmbito dos 250 anos da independência americana, apontou que o comunismo é "uma ameaça maior que as duas guerras mundiais" e um "câncer" incompatível com os valores do país.