
Ame muito tudo isso: McDonald's utiliza algoritmos para prever comportamento de clientes

O jornalista Reece Rogers, da revista americana Wired, recebeu do McDonald's um dossiê de 515 páginas após solicitar acesso aos seus dados pessoais armazenados pelo programa de fidelidade da rede, revelando previsões algorítmicas detalhadas sobre seus hábitos de consumo.
O relatório detalha todas as transações realizadas pelo aplicativo, as ofertas enviadas, os pontos acumulados e até mesmo os códigos escaneados em sorteios promocionais e os prêmios ganhos. Ele também registra quando, onde e o que foi pedido em cada visita.

O levantamento prevê que Rogers visitaria o McDonald's 2,16 vezes nas próximas seis semanas, gastando em média US$ 13,49 por pedido.
Uma das métricas do arquivo classifica sua "probabilidade de abandono" como zero, enquanto padrões de comportamento são mapeados e categorizados em perfis, enquadrando o jornalista como alguém que busca "lanche da tarde baseado em comida" ou "almoço rápido em movimento".
Vigiar e consumir
A extensão do rastreamento surpreendeu especialistas em segurança digital. Jeff Chester, diretor-executivo do Centro para Democracia Digital, afirmou à Wired que "o molho secreto do McDonald's é realmente vigilância comercial".

Stephanie Nguyen, ex-tecnóloga-chefe da Comissão Federal de Comércio, destacou ao jornal New York Post que a política de privacidade do McDonald's, com quase 10 mil palavras, menciona monitoramento de geolocalização precisa, histórico de navegação e atividade em redes sociais para treinar modelos de IA.
O McDonald's respondeu à reportagem, indicando tomar "a privacidade e segurança de dados seriamente", explicando que usa informações como compras anteriores para "proporcionar experiência personalizada mais envolvente".
Após revisar o arquivo, Rogers solicitou exclusão completa de seus dados e decidiu parar de frequentar a rede.

