A Bolsa de Metais de Londres (LME) registrou neste mês uma valorização recorde de até US$ 370 por tonelada entre contratos imediatos e futuros de cobre, sinalizando forte escassez no mercado físico, apontou o jornal americano Bloomberg na sexta-feira (14).
A inflação das cotações reflete um problema sistêmico mais amplo: um estudo da analítica americana S&P Global projeta que a demanda mundial do metal saltará dos 28 milhões de toneladas métricas de 2025 para 42 milhões em 2040, um incremento de 50%; a produção, porém, atingirá seu pico em 2030 com apenas 33 milhões de toneladas.
Os estoques da LME caíram pelo 42º dia consecutivo, com menos de 205 mil toneladas, com metade já comprometida para retirada. A escassez física impulsiona operadores econômicos a exportarem cobre para Estados Unidos e China, onde os preços superam os londrinos, intensificando a disputa por suprimentos disponíveis.
A inteligência artificial (IA) emerge como um vetor crucial dessa transformação, conforme centros de dados [ou 'data centers', do inglês] multiplicarão seu consumo elétrico e exigirão quantidades exponenciais de cobre para funcionamento e infraestrutura de rede, segundo o estudo.
Nos EUA, esses centros podem saltar de 5% para 14% da demanda elétrica até 2030.
O déficit projetado de 10 milhões de toneladas anuais em 2040 equivale a um risco sistêmico para indústrias globais, avanço tecnológico e crescimento econômico, ameaçando não apenas a expansão da IA, mas também veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa.