
App fitness expõe rotinas de tropas dos EUA no Oriente Médio — em meio à guerra contra o Irã

Mais de 1.300 militares usuários do aplicativo Strava vêm compartilhando publicamente informações sobre seus treinos físicos em bases dos Estados Unidos no Oriente Médio, expondo dados que especialistas em segurança afirmam poder ter sido utilizados pelo Irã para planejar ataques contra forças americanas, conforme revelou investigação da Sky News publicada na quarta-feira (12).
A plataforma de fitness permite aos usuários publicar rotas exatas, horários e localizações de corridas, ciclismo e natação, criando uma brecha de segurança crítica em pleno conflito na região.

Os dados revelam rotinas diárias completas, padrões de deslocamento e retirada de pessoal, além de movimentações entre bases, algumas não identificadas em mapas públicos. A maioria dos usuários publicava sob seus nomes verdadeiros, tornando-se alvos identificáveis para ataques ou espionagem.
Vulnerabilidade esgarçada
O problema persiste apesar de advertências do Pentágono há mais de sete anos, proibindo o uso de recursos de rastreamento de localização durante missões.
Em 2018, a Casa Branca já reconhecia que os dados do Strava representavam "claramente um risco de segurança", segundo a reportagem.
O especialista em operações especiais Jonathan Hackett atribuiu a situação à "aplicação negligente das normas" e à "falta de consciência" entre o pessoal militar.

Um episódio particularmente preocupante envolve a base naval de Manama, no Bahrein, atacada pelo Irã em 1º de março. A Sky News rastreou a conta de um contratante da Marinha dos EUA que, até uma semana antes do conflito, registrava regularmente corridas dentro da instalação.
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Após dois dias de silêncio, suas atividades reapareceram no pátio do hotel Crowne Plaza, revelando a evacuação do pessoal para instalações civis. Seis dias depois, durante os ataques à base naval, o Irã também bombardeou o hotel, ferindo dois funcionários do Pentágono.
Na Base Aérea Muwaffaq Al Salti, na Jordânia, a análise das atividades publicadas mostrou mudança significativa nos padrões após o cessar-fogo de abril: 76% das corridas passaram a começar ou terminar nos alojamentos do canto leste da base. Em 17 de julho, o Irã atacou precisamente esses alojamentos, matando três soldados.
Problema internacional
A vulnerabilidade não se restringe aos EUA, porém.
Foram identificados soldados britânicos compartilhando 12 mil treinos da RAF Akrotiri, em Chipre, base que também foi alvo iraniano.
Três usuários do Strava chegaram a registrar corridas dentro do centro de pesquisa nuclear Dimona, em Israel, a instalação mais sensível do país e alvo repetido de ataques iranianos.
Joseph Jarnecki, especialista em segurança nacional do Royal United Services Institute, considera "completamente plausível" que o Irã tenha usado o Strava para rastrear relocações de pessoal americano. Virpratap Vikram Singh, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, destacou que, diferentemente de outros dados comerciais de localização, o Strava vincula informações aos nomes completos e outras redes sociais dos usuários, facilitando a identificação de alvos de alta hierarquia.
O Pentágono e o CENTCOM não responderam aos questionamentos da reportagem. O Strava informou levar a privacidade dos usuários "muito a sério" e espera que profissionais em áreas sensíveis utilizem os controles de privacidade disponíveis.


