Uma dieta cetogênica, caracterizada por alta ingestão de gordura e baixa ingestão de carboidratos, pode reduzir o consumo de álcool, de acordo com os resultados de um estudo publicado na revista Neuropsychopharmacology.
A pesquisa, realizada com camundongos, revelou que os machos com dependência em álcool que seguiram essa dieta beberam menos durante os períodos de abstinência. No entanto, o mesmo efeito não foi observado em fêmeas, sugerindo possíveis diferenças entre os sexos.
Os cientistas também descobriram que a dieta cetogênica altera a forma como o corpo processa o álcool. Camundongos submetidos a essa dieta metabolizaram o álcool mais lentamente e apresentaram níveis mais elevados de álcool no sangue após consumirem a mesma quantidade que camundongos com uma dieta padrão.
Acredita-se que a alteração esteja relacionada à redução de uma enzima hepática fundamental envolvida na metabolização do álcool e a modificações no uso de energia tanto no fígado quanto no cérebro, que se torna menos dependente de glicose e mais dependente de corpos cetônicos.
Os autores acreditam que esses resultados podem abrir novos caminhos para complementar o tratamento de transtornos por uso de álcool. No entanto, eles alertam que as descobertas ainda precisam ser confirmadas em humanos e que um metabolismo mais lento também pode levar a uma maior intoxicação após a ingestão da mesma quantidade de álcool.