'Dólar por dólar': Vizinho dos EUA revida após ser alvo do aumento de tarifas de Trump

"Os EUA estão prejudicando todas as suas relações comerciais", afirma Mark Carney.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou na sexta-feira (22) que seu governo planeja impor tarifas contra os Estados Unidos, após o fracasso das negociações sobre um acordo comercial com o lado americano para evitar que Washington imponha tarifas de 50% sobre mercadorias provenientes do Canadá.

"Nosso governo compreendeu, antes de muitos, que os EUA estão alterando todas as suas relações comerciais [...] Decidi suspender as negociações comerciais com os EUA e ordenei que os negociadores do Canadá retornem a Ottawa", afirma um comunicado divulgado pelo primeiro-ministro no X.

"As mudanças de última hora nos termos propostos pelos EUA eram injustas, antieconômicas e colocavam em dúvida a confiabilidade de qualquer acordo", acrescenta.

"À meia-noite de hoje, os EUA pretendem impor uma tarifa de 50% sobre aproximadamente 28 bilhões de dólares em bens canadenses. O Canadá igualará essas tarifas dólar por dólar para proteger nossos trabalhadores e empresas", afirma.

A medida ocorre após dias de negociações em Washington entre o ministro canadense responsável pelo Comércio com os EUA, Dominic LeBlanc, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.

Medida tarifária contra o Canadá

Em julho, Trump anunciou uma rodada de tarifas adicionais de 50% sobre mercadorias provenientes do Canadá, ao considerar que seu vizinho do norte impõe "um tratamento discriminatório" aos "produtos americanos".

Em particular, a medida, que foi apresentada como "compensatória" por supostas assimetrias comerciais, visava automóveis, laticínios e bebidas alcoólicas, mas deixava de fora produtos do setor energético, potássio, minerais críticos, bem como outros itens sobre os quais já incidem impostos, em uma lista que inclui aço, alumínio, cobre, caminhões e veículos destinados à agricultura, madeiras e tábuas.