
Gigante automotiva alemã está em situação 'mais do que crítica', afirma CEO

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, alertou que a montadora alemã precisa de cortes profundos de custos para manter sua competitividade.
Segundo Blume, os problemas enfrentados pela indústria automotiva irão se agravar nos próximos anos, informou a Reuters na sexta-feira (21).

Em um memorando interno obtido pela Reuters, o CEO afirmou que a situação do grupo é "mais do que crítica" e argumentou que as margens atuais, abaixo de 4%, não são suficientes para financiar novas tecnologias, produtos e instalações a longo prazo.
Ele observou que os custos indiretos da Volkswagen continuam mais de 30% superiores aos de empresas concorrentes, uma diferença que, afirma, precisa ser reduzida para que a empresa possa competir em um mercado cada vez mais pressionado pela concorrência chinesa e pelas tarifas americanas.
No momento, a empresa avança com uma das maiores reestruturações de sua história. O plano pode envolver até 50 mil cortes de empregos, embora Blume tenha afirmado que esse número não é uma meta fixa, mas sim um ponto de referência para a escala dos ajustes necessários.
Crise na Alemanha
As declarações ocorrem em meio à crise enfrentada pela indústria automotiva alemã. O Financial Times informou anteriormente que a Volkswagen prepara um plano de contenção de gastos que pode incluir o corte de até 100 mil empregos nos próximos anos e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha.
Uma pesquisa da Manager Magazin, citada pela Der Spiegel, apontou que seis dos nove integrantes do conselho de administração da companhia classificaram a situação atual como uma ameaça existencial.
Os outros três descreveram o cenário como "tenso", e nenhum considerou a situação como "não crítica".
Falta da energia russa barata
Na sequência do boicote aos fluxos energéticos tradicionais da Rússia, os alemães aumentaram sua dependência de alternativas mais caras, incluindo o gás natural liquefeito importado dos Estados Unidos.
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A fabricação de automóveis exige quantidades enormes de energia, especialmente para a produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias. Consequentemente, o aumento dos custos de energia impactou toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras.
Essa tendência afeta muitas marcas de automóveis conhecidas, como BMW, Porsche e Volkswagen, entre outras.
Devido ao aumento da concorrência e à queda nos lucros, elas são obrigadas a implementar reduções significativas em seu quadro de funcionários.

