STF autoriza PF a consultar investigação sobre produtora de 'Dark Horse'

Decisão envolve apuração sobre contratos da produtora com a Prefeitura de São Paulo e repasses de R$ 2 milhões em emendas parlamentares.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (24) a Polícia Federal (PF) a acessar dados de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora audiovisual Go Up Entertainment. A empresa é responsável pelo filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com a Agência Brasil, a PF havia solicitado acesso às informações de uma operação que apura contratos da produtora com a Prefeitura de São Paulo. O caso envolve o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora.

Os recursos foram destinados por meio de emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP). Dino é relator, no STF, do inquérito que apura possível desvio de finalidade nos repasses. A investigação chegou à Corte após representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).

Relações entre "Dark Horse" e Flávio

A produção do filme virou alvo de polêmica e resultou na abertura de uma investigação depois que, em 13 de maio, o portal The Intercept Brasil divulgou um áudio em que o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), cobrava dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de "Dark Horse". A divulgação do áudio ocorreu um dia antes de Vorcaro ser preso no âmbito da operação Compliance Zero.

reportagem afirma que conversas entre Vorcaro, seu cunhado, Fabiano Zettel, e o empresário Thiago Miranda previam o pagamento de R$ 134 milhões para a produção do longa. Efetivamente, apenas R$ 61 milhões foram transferidos por Vorcaro.

A PF investiga também se os valores destinados ao custeio da obra cinematográfica teriam sido desviados para pagar as despesas do ex-deputado federal condenado Eduardo Bolsonaro nos EUA. Isso porque o dinheiro de Vorcaro foi transferido para o fundo Heavengate Development, que tem como agente legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", de Paulo Calixto, advogado de Eduardo.