
Noboa e Espriella na contramão: Sheinbaum propõe vetar dupla cidadania na Presidência do México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou na terça-feira (25) uma iniciativa de reforma constitucional para exigir nacionalidade mexicana exclusiva de candidatos à Presidência e aos governos estaduais, alegando que representantes do povo mexicano não deveriam possuir vínculos com outros países.
"Por que você teria dupla nacionalidade se representa o povo do México?", questionou a presidente durante sua coletiva matinal de imprensa no Palácio Nacional.

Sob o vislumbre no horizonte das eleições de 2027, a proposta surgiu ao mencionar o ex-governador de Tamaulipas, Francisco García Cabeza de Vaca, do partido de oposição direitista PAN (Partido Acción Nacional), a quem identificou como "foragido da justiça" nos Estados Unidos.
Sheinbaum apontou que o México solicitou sua extradição, processo que não avançou, e destacou sua dupla nacionalidade como elemento complicador.
Crime organizado, lavagem de dinheiro e operações com recursos ilícitos
O ex-governador é acusado de crime organizado, lavagem de dinheiro e operações com recursos ilícitos durante sua gestão em Tamaulipas (2016-2022), conforme a Procuradoria-Geral da República. Segundo o processo, Cabeza de Vaca teria favorecido empresas vinculadas a ele com contratos de obras públicas.

Em fevereiro, a Suprema Corte mexicana reativou a ordem de prisão contra o ex-governador, que reside nos Estados Unidos desde que deixou o cargo em 2022. Cabeza de Vaca teve sua candidatura a deputado federal cassada em 2024 pelo Tribunal Eleitoral por sua condição de foragido.
O ex-governador enfatizou que a Constituição lhe permite se candidatar à Presidência e acusou o governo de fabricar acusações relacionadas à venda de um apartamento.
Liderança de dois passaportes
A discussão sobre dupla nacionalidade em cargos executivos ganhou relevância na América Latina com casos recentes, inserindo o debate mexicano em um contexto regional mais amplo sobre representação nacional e lealdades políticas em meio a uma notória guinada regional à direita.
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Na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella possui, além da nacionalidade colombiana, as cidadanias estadunidense e italiana por naturalização, situação que gerou controvérsia jurídica durante a campanha presidencial de 2026.
Discussões pautaram o conflito de interesses decorrente do juramento de naturalização americana, que exige compromisso de "apoiar e defender a Constituição e as leis" dos Estados Unidos, mesmo contra "inimigos estrangeiros". Sua candidatura, porém, foi mantida pelo Conselho Nacional Eleitoral, já que a legislação colombiana permite que colombianos por nascimento tenham outras nacionalidades.

No Equador, o presidente Daniel Noboa, o mais jovem da história do país e reeleito em 2025, também possui nacionalidade dos EUA; não adquirida, porém, mas sim garantida por direito de nascença em Miami, no estado da Flórida. Filho do magnata bananeiro Álvaro Noboa, Daniel obtém a cidadania equatoriana por filiação, já que seus pais são equatorianos.

