
Em meio a tensões com EUA, TV canadense orienta jornalistas a não chamar o 11/9 de 'terrorista'

A CBC, emissora pública nacional do Canadá, orientou seus jornalistas a não classificarem os ataques de 11 de setembro como "ataques terroristas", segundo reportagens do Toronto Sun e do National Post.
Segundo o memorando confidencial atribuído ao diretor sênior de Padrões Jornalísticos e Confiança Pública da CBC, Basem Boshra, jornalistas e editores foram instruídos a não "se referir aos ataques de 11 de setembro como ataques terroristas".
O documento recomendaria, em vez disso, descrever os acontecimentos de forma factual, mencionando que os "aviões sequestrados caíram em Washington, na Pensilvânia e em Manhattan", e que "o World Trade Center foi destruído".
A CBC afirmou que seus jornalistas podem utilizar os termos quando atribuídos a autoridades governamentais, especialistas, políticos ou outras fontes.

Anteriormente, o editor-chefe da CBC News, Brodie Fenlon, declarou que a emissora "não designa grupos específicos como terroristas, nem atos específicos como terrorismo", sob o argumento de que os termos possuem forte carga política e emocional e podem prejudicar o trabalho jornalístico.
A orientação veio à tona em meio à deterioração das relações entre Canadá e Estados Unidos, marcada pela escalada da guerra comercial entre os dois países. Na terça-feira, Ottawa anunciou tarifas retaliatórias de até 50% sobre cerca de 700 produtos americanos, após o governo Trump impor uma nova rodada de tarifas sobre produtos canadenses e ameaçar adotar novas medidas punitivas.
Este ano marca o 25º aniversário dos ataques, que mataram quase 3 mil pessoas. Segundo a versão oficial, 19 terroristas da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais, lançando dois deles contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e um terceiro contra o Pentágono, nos arredores de Washington, DC. O quarto avião caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave dos sequestradores.
Os ataques levaram o então presidente dos EUA, George W. Bush, a lançar a chamada "Guerra ao Terror" e enviar tropas americanas ao Afeganistão, dando início a um conflito que duraria duas décadas.
