'Porta fechada': Liderança europeia bloqueia confisco de ativos congelados da Rússia

Decisão ocorre após carta de quatro países à UE pedindo revisão do tema. Maior parte dos recursos congelados está na Euroclear, em Bruxelas.

A Bélgica se opõe à confiscação de ativos russos congelados na União Europeia (UE), depositados principalmente na empresa Euroclear, afirmou o ministro da Defesa do país, Theo Francken, em entrevista à emissora belga VRT na sexta-feira (28).

O político classificou a questão como "inegociável" e garantiu que o primeiro-ministro Bart De Wever permanecerá com a posição de manter "a porta absolutamente fechada" sobre o tema, acrescentando que a posição da Bélgica sobre o assunto não mudou desde o ano passado.

A recusa belga ocorreu dois dias após Suécia, Holanda, Polônia e Espanha enviarem carta à chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, solicitando que a Comissão Europeia explore formas de utilizar os aproximadamente 200 bilhões de euros em ativos russos imobilizados, como informou o jornal Politico.

A iniciativa surge diante da urgência financeira ucraniana, por vez que o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, revelou que enfrenta um déficit de 23,5 bilhões de euros no orçamento da defesa ucraniana.

A maior parte dos recursos congelados está depositada na Euroclear, empresa sediada em Bruxelas, capital belga, o que concentra a exposição jurídica e financeira sobre a Bélgica.

Na opinião do ministro Francken, revisitar a questão seria um erro, apesar dos desejos de alguns países do Leste Europeu.

"Acho que os países bálticos também deveriam ter cuidado ao recomeçar e nos encurralar. Não acho que isso seja sensato", acrescentou, observando que a Bélgica fornece "imensa assistência" aos Estados Bálticos, incluindo patrulhas aéreas e pessoal.