
'OTAN Islâmica' dá o primeiro passo para aliança estratégica

Altos oficiais da Turquia, Arábia Saudita e Paquistão se reunirão em Istambul na segunda-feira (31) para a primeira reunião do comitê da chamada "OTAN Islâmica", no âmbito do Acordo Conjunto de Defesa de Meca, informou a Reuters no domingo (30).
Segundo uma fonte do Ministério das Relações Exteriores da Turquia, a reunião contará com a presença dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa, bem como dos chefes de Estado-Maior dos três países.
"A segurança internacional estará na agenda", afirmou a fonte. Espera-se também que as discussões abordem o fortalecimento das capacidades de defesa, maior interoperabilidade das forças armadas e cooperação mais profunda na indústria militar, incluindo produção e desenvolvimento conjuntos.

O acordo, assinado no início de agosto na cidade saudita de Meca, estabelece um princípio de defesa coletiva: um ataque armado contra qualquer um dos três países será considerado um ataque contra todos eles, de forma similar à OTAN.
O Acordo de Meca foi assinado pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman Al Saud; pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
Especialistas avaliam que o acordo faz parte de um processo conhecido como "soberanização estratégica", por meio do qual os estados da região buscam diversificar suas alianças de defesa e reduzir sua dependência de Washington. A "OTAN do Oriente Médio", que estrategistas americanos vêm imaginando há anos, pode estar tomando forma, só que desta vez projetada pelas próprias potências regionais.
