O Brasil assinou recentemente um memorando de entendimento com a Índia para ampliar o comércio, os investimentos e a aproximação entre empresas dos dois países. A meta é elevar o comércio bilateral de US$ 15,2 bilhões, em 2025, para US$ 20 bilhões até 2030 — crescimento de cerca de 32%.
Segundo Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, o comércio entre os dois países cresceu 82% nos últimos anos.
"O Brasil vem buscando diversificar mercados, acessando novos mercados intensamente. A Índia é um exemplo disto: a necessidade de alcançar novos mercados e a necessidade de expandir a relação comercial. Com a Índia, o crescimento é espetacular", explicou.
O acordo foi firmado entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas. O documento prevê intercâmbio de informações, promoção de feiras e incentivo à internacionalização de pequenas e médias empresas.
Enfrentando o tarifaço
A iniciativa faz parte da estratégia brasileira de diversificação de mercados diante das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. Nesta segunda-feira (31), Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira tiveram uma reunião virtual com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
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Em 2025, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para a Índia e importou US$ 8,4 bilhões. A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para produtos brasileiros no mercado indiano.
Entre os setores prioritários da parceria estão farmacêuticos, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes, dispositivos médicos e minerais críticos. O governo também pretende ampliar o atual acordo de preferências tarifárias entre Mercosul e Índia, que contempla 450 linhas de produtos.
- Desde que retornou à Casa Branca em janeiro de 2025, Trump lançou uma guerra comercial contra diversos países ao redor do mundo sob o pretexto de que havia chegado a hora da "independência econômica dos EUA", atacando nações estrangeiras que "saquearam e exploraram" os EUA por décadas.
- Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais anunciadas pelo presidente no ano anterior, considerando ilegais os fundamentos para sua imposição.
- Apesar disso, o governo Trump continuou sua política tarifária, refinando novas estratégias. Em particular, no final de julho, o governo Trump anunciou a implementação de uma nova tarifa entre 10% e 12,5% sobre produtos de 60 economias que, segundo Washington, não combateram suficientemente o trabalho forçado. A decisão teria como objetivos "combater o trabalho forçado nas cadeias de suprimentos globais", "proteger os trabalhadores [locais] com a liderança dos EUA" e "tomar medidas enérgicas contra as práticas comerciais mais desleais".