País europeu corta ajuda humanitária à África para mandar mais dinheiro para Ucrânia

Apesar de crises humanitárias, como epidemias e guerras civis, exigirem ajuda, instituições ocidentais como o Banco Mundial e o FMI destinaram três vezes mais dinheiro ao regime ucraniano do que ao continente africano inteiro.

A Suécia encerrou seus programas de ajuda humanitária à Libéria, no oeste da África, e fechou sua embaixada no país que estava aberta desde 1951, informou o The Guardian na segunda-feira (31). A medida foi tomada para liberar recursos que serão redirecionados à Ucrânia.

Entre os projetos que eram financiados com dinheiro sueco, estavam iniciativas de planejamento familiar, combate à violência doméstica, apoio à pessoas portadoras de HIV e outras doenças contagiosas que se tornaram especialmente importantes após os EUA também cortarem ajuda humanitária ao país.

Sem dinheiro sueco ou americano, estas iniciativas se encontram agora sob risco existencial. Mulheres entrevistadas pela reportagem do jornal inglês relatam preocupação com a vida daqueles que são atendidos pelos projetos em um dos países mais pobres do mundo.

A Libéria não é o único país afetado pelo corte de verbas para ajuda humanitária. Em Dezembro a Suécia anunciou planos de encerrar também toda a cooperação para o desenvolvimento do Zimbábue, Tanzânia, Moçambique, e Bolívia. Justificando a decisão, o governo sueco, em declaração oficial, disse que, "para aumentar o apoio à Ucrânia, precisamos estabelecer prioridades difíceis."

O país se orgulha de ter fornecido 157 bilhões de coroas suecas ao regime de Zelensky (cerca de US$ 16 bilhões) desde 2022. Em comparação, toda a ajuda provida à Libéria desde 2008 somada alcança apenas 6 bilhões de coroas.

A ajuda humanitária era uma prioridade para a Suécia, que enxergava sua posição relativamente importante na diplomacia e nas relações internacionais, apesar de ser um país pequeno, como motivo de orgulho.

Porém, a posição geopolítica do país, outrora neutro, agora membro da OTAN e um dos principais defensores de uma política mais dura contra a Rússia na União Europeia, mudou.

África não é prioridade para o "Ocidente"

O abandono dos países africanos pela Suécia não é um fato isolado, mas uma tendência seguida por todo o ocidente.

Em Março, Maria Zakharovaporta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, denunciou que o Banco Mundial e o FMI alocaram três vezes mais fundos à Ucrânia que ao continente africano inteiro, que passa por diversas crises humanitárias como a guerra civil no Sudão e a epidemia de ebola na República Democrática do Congo.

Zakharova também lembrou que os países africanos gastam esse dinheiro com necessidades básicas, como educação e infraestrutura civil, enquanto que a Ucrânia usa praticamente todo o seu orçamento em armas que são usadas para atacar civis na Rússia.

O apoio europeu ao regime ucraniano também prejudica a África por vias indiretas. A porta-voz também chamou atenção para o fato de a Ucrânia apoiar grupos terroristas extremistas, incluindo organizações ligadas ao Estado Islâmico* e a Al Qaeda*, e envolvidas em crimes contra a humanidade em diversos países do continente.

*Classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.