
Elevador espacial: ficção científica está perto de virar realidade graças a material superforte

Cientistas e pesquisadores do International Space Elevator Consortium (ISEC) garantem que estão próximos de tornar viável a construção de um elevador espacial, estrutura que ligaria a superfície da Terra a uma órbita além da geoestacionária por meio de um cabo de aproximadamente 100 mil quilômetros, relatou o New York Times na segunda-feira (31).
A proposta prevê a ancoragem de um cabo super-resistente próximo à linha do equador, estendido além da órbita geoestacionária e mantido tensionado por um contrapeso no espaço.
Veículos especiais, chamados climbers, subiriam pelo cabo utilizando eletricidade, transportando cargas e, eventualmente, passageiros. Segundo os defensores do projeto, o sistema reduziria a necessidade de lançamentos com foguetes, diminuindo custos, poluição atmosférica e a geração de detritos espaciais.

Desafio técnico e possível solução
O principal obstáculo técnico continua sendo o material do cabo, que precisaria ser cerca de 100 vezes mais resistente que o aço, leve e fabricável em escala industrial.
O ISEC –, organização internacional sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento do elevador espacial –, aponta o grafeno policristalino como o candidato mais promissor no momento. Trata-se de uma estrutura de átomos de carbono já utilizada em aplicações eletrônicas.
A versão policristalina, formada por múltiplos pequenos cristais, poderia facilitar a produção em larga escala. Há avanços recentes na fabricação.
Engenheiros da Coreia do Sul produziram uma estrutura de grafeno policristalino com cerca de mil metros de comprimento e meio metro de largura, a uma taxa de aproximadamente dois metros por minuto.
O conceito do ISEC prevê o uso de milhares dessas folhas combinadas para formar o cabo. Cada fita individual teria a espessura de um átomo, cerca de um metro de largura e aproximadamente 100 mil quilômetros de comprimento.
Operação e possíveis benefícios
Uma vez operacional, a viagem até a órbita geoestacionária (cerca de 36 mil km de altitude) levaria em torno de duas semanas.
Além desse ponto, a força centrífuga gerada pela rotação da Terra permitiria a liberação de cargas a velocidades elevadas.
Estimativas do ISEC indicam que cargas liberadas no topo poderiam chegar à Lua em cerca de 14 horas (contra os três dias atuais) e a Marte em períodos entre 61 e 120 dias, dependendo do alinhamento planetário.
Missões convencionais a Marte levam em média sete meses e estão limitadas a janelas de lançamento a cada 26 meses aproximadamente.

