
'Cinismo': Rússia acusa França e Reino Unido de hipocrisia na questão nuclear do Irã

A Rússia acusou nesta quinta-feira (10) França e Reino Unido de hipocrisia na condução da questão nuclear do Irã. Durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, o representante permanente russo, Vassily Nebenzia, afirmou que os dois países dizem defender uma solução diplomática, mas, na prática, contribuem para o aumento das tensões com Teerã.
"Enquanto isso, a Grã-Bretanha e a França são cínicas o suficiente para alegar seu compromisso em encontrar uma solução diplomática para o programa nuclear iraniano", afirmou. Segundo Nebenzia, o fracasso dos dois países em alcançar esse objetivo "ao longo do último ano e meio" tornou-se evidente.
A crítica ocorre em meio à disputa sobre a tentativa do Ocidente de aplicar um golpe jurídico para retomar sanções da ONU contra o Irã por meio de um mecanismo chamado de "restabelecimento automático" (snapback).

França, Reino Unido e Alemanha defendem a possibilidade de acionar o mecanismo, enquanto Moscou sustenta que os três países não têm direito de fazê-lo.
A resolução da ONU
A Resolução 2231, acionada pelos países ocidentais, expirou em 18 de outubro de 2025 e, com ela, encerrou o mecanismo que permitiria a retomada das sanções. Nebenzia também rejeitou as tentativas de reativar o Comitê 1737, responsável anteriormente pelo regime de sanções contra Teerã.
"Nosso país não permitirá que o Conselho adote quaisquer decisões que legitimem alegações de um alegado 'restabelecimento automático' das sanções", declarou. A Rússia acrescentou que continuará se opondo às iniciativas para "reviver" o Comitê 1737.
O diplomata completou dizendo que "a Rússia rejeita categoricamente as tentativas de manipular a autoridade do Conselho de Segurança com o objetivo de acertar contas políticas com Teerã".
Por fim, o representante russo defendeu uma solução negociada para a questão nuclear e afirmou que um acordo dependerá de "um cuidadoso equilíbrio de interesses" e do respeito aos direitos do Irã. "Instamos os países ocidentais a pararem de alimentar a escalada do conflito", concluiu.
