'Fachin tem a faca e o queijo na mão': Lula se pronuncia após sessão histórica do STF

"A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo", sustentou o presidente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em sabatina à Record nesta terça-feira (15), que nenhuma autoridade deveria estar imune ao rigor da lei, independentemente de seu prestígio. A declaração foi feita quando questionado sobre a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrada horas antes.

"Não há ninguém, mais ninguém, absolutamente ninguém, que possa fugir do julgamento quando tem suspeito, tem acusação contra ele", afirmou o presidente. Segundo Lula, agora que o sigilo dos documentos envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi quebrado, o presidente da Corte, Edson Fachin, "tem a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o que na Suprema Corte".

"STF precisa ser exemplo"

O mandatário lamentou que o STF esteja perdendo prestígio diante da sociedade brasileira e sustentou que "a instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo".

Nesse contexto, o chefe de Estado direcionou críticas ao ministro André Mendonça, afirmando que ele manteve "como segredo de Estado" dados relacionados a Vorcaro, divulgando ao público apenas "aquilo que interessava para ele".

"Vorcaro é uma quadrilha"

Ao comentar a decisão dos ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli de se declararem suspeitos e não participarem da sessão, Lula questionou:

"Por que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou?Quem é que está, quem é que levou dinheiro, quem é que participou dessa trama do Vorcaro? Porque o Vorcaro é uma quadrilha que envolveu muita gente de várias instâncias do Poder Judiciário, da casa política. Vamos colocar o Brasil a nu e investigar para ver se a gente consegue fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro".

Reforma no Judiciário?

Questionado se poderia se comprometer com uma reforma do Poder Judiciário em um eventual quarto mandato, Lula respondeu que foi responsável pela primeira reforma nesse sentido, realizada durante mandatos anteriores, e afirmou que "vai ter que fazer" uma segunda.

"Temos que mudar o critério de escolha das pessoas, o mandato das pessoas, mas tem que também mudar o critério da escolha de outros juízes, de outras instâncias. O Poder Judiciário precisa virar exemplo e não contribuir para a desconfiança da sociedade", concluiu.