
Ineficácia no combate ao PCC e CV transformou Brasil em 'centro global de cocaína', dizem EUA

O governo dos Estados Unidos afirmou que o Brasil falhou em "confrontar" o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), classificados por Washington como organizações terroristas estrangeiras. Segundo a determinação presidencial para o ano fiscal de 2027, as facções transformaram o país em um "centro de distribuição global de cocaína".
No documento enviado ao Congresso americano e assinado pelo presidente Donald Trump, Washington cobra "medidas enérgicas" do governo brasileiro contra os dois grupos. Apesar da crítica, o Brasil ficou fora da lista de 23 países considerados pelos EUA grandes rotas de trânsito ou produtores de drogas ilícitas.
"Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam", lê-se no texto.

Pressão sobre o Brasil
A cobrança ocorre no mesmo ano em que os Estados Unidos classificaram PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, decisão contestada pelas autoridades brasileiras.
A designação permite ao governo norte-americano adotar medidas financeiras e migratórias contra os grupos e seus integrantes, além de ampliar o uso de estruturas de inteligência dos Estados Unidos no enfrentamento às facções.
A determinação enviada ao Congresso é um documento anual previsto na legislação americana. Ela identifica países considerados grandes rotas de trânsito ou produtores de drogas ilícitas, e não representa, por si só, a imposição de novas sanções.
Lista internacional
Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Mianmar, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela aparecem na relação de países considerados pelos EUA grandes rotas de trânsito ou produtores de drogas ilícitas.
O governo norte-americano afirma que a inclusão não representa necessariamente uma avaliação negativa das políticas antidrogas de cada país. Segundo o documento, fatores geográficos, comerciais e econômicos também são considerados.
Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia foram apontados pelos EUA por não terem feito, nos 12 meses anteriores, esforços substanciais para cumprir compromissos internacionais de combate ao narcotráfico.
Trump também cobrou ações adicionais de Canadá, México e China contra o tráfico e a produção de drogas e precursores químicos. No mesmo documento, elogiou medidas adotadas por governos da América do Sul no enfrentamento ao narcotráfico.

