Coordenador da campanha de Lula cobra explicações de Moraes sobre Banco Master

Marco Aurélio de Carvalho diz que atuação do ministro no julgamento da tentativa de golpe de Estado não o isenta de responder sobre o caso.

Um dos coordenadores da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve prestar explicações sobre o caso Banco Master. A informação foi publicada pelo portal O Globo nesta quarta-feira (16).

"Nós reconhecemos o que ele fez no julgamento do golpe, mas ali o Alexandre não fez mais do que a obrigação dele como ministro. Além disso, não foi um ato isolado, o reconhecimento deve ser estendido a toda Corte. Mas nada disso o exime de ter que prestar as explicações devidas no caso do Banco Master", disse Carvalho.

A declaração ocorre após Lula afirmar, em sabatina à Record, na terça-feira (15), que nenhuma autoridade deve ficar imune ao rigor da lei diante de suspeitas ou acusações.

"Não há ninguém, mais ninguém, absolutamente ninguém, que possa fugir do julgamento quando tem suspeito, tem acusação contra ele", afirmou o presidente.

Caso Banco Master

Lula disse que, com a quebra do sigilo de documentos envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o presidente do STF, Edson Fachin, tem condições de avançar na apuração.

Segundo o presidente, Fachin "tem a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o que na Suprema Corte".

Lula também afirmou que o STF está perdendo prestígio diante da sociedade e defendeu que a instância máxima do Judiciário seja "exemplo".

Na entrevista, o presidente criticou o ministro André Mendonça pela condução de informações relacionadas a Vorcaro e questionou a ausência de Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques na sessão extraordinária da Corte.

"Por que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou? Quem é que está, quem é que levou dinheiro, quem é que participou dessa trama do Vorcaro?", questionou.

Lula também afirmou que uma nova reforma do Judiciário deverá rever critérios de escolha e mandato de integrantes da Justiça.

"O Poder Judiciário precisa virar exemplo e não contribuir para a desconfiança da sociedade", concluiu.