
Em nova ofensiva contra Cuba, EUA impõem sanções a empresas do setor mineral e militar

Como parte doendurecimento do bloqueio imposto a Cuba há mais de seis décadas, o governo dos EUA anunciou nesta quinta-feira (17) uma nova rodada de sanções contra empresas vinculadas ao setor militar e à mineração de níquel.
Em comunicado publicado pelo Departamento de Estado dos EUA em seu portal, são apontadas como alvo das medidas coercitivas as empresas militares Centro de Investigación y Desarrollo de Simuladores (Simpro), entidade dedicada ao desenvolvimento e à fabricação de simuladores utilizados no treinamento das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, e o Centro de Investigación y Desarrollo Naval (Cidnav), onde são conduzidos programas de pesquisa relacionados à Marinha cubana.

A lista inclui ainda o Centro de Investigación y Desarrollo de Armamento de Infantería (Cidai), cuja finalidade é a pesquisa e o desenvolvimento de armamentos de infantaria, e o Centro de Investigación, Desarrollo y Producción Grito Baire (Gelcom), envolvido na produção de equipamentos eletrônicos e de comunicação.
Nesse âmbito, também foram anunciadas sanções unilaterais contra Joaquín Francisco Cancio Monteagudo, diretor-geral da Simpro; Dioglis Pedrera Argüello, diretor-geral da Cidnav; e Julio Hurtado Bentancourt, diretor-geral do Cidai.
Em relação às entidades ligadas à indústria do níquel, Washington impôs medidas coercitivas unilaterais à Empresa de Serviços Técnicos de Computação, Comunicações e Eletrônica (Sercont), empresa pública que fornece ferramentas e serviços relacionados à exploração desse metal na ilha; à Empresa de Engenharia e Projetos de Níquel (Ceproníquel), voltada à execução de projetos no setor; ao Centro de Pesquisas do Níquel (Cediniq); e à estatal Pinares S.A., responsável pelo estudo das jazidas de níquel no país caribenho.
Cerco dos EUA contra Cuba
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança do país norte-americano e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "numerosos países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir o emprego, na ilha, de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendam petróleo à nação caribenha, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida ocorre em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que tem rejeitado sistematicamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", que, segundo acrescentou, está chegando "ao fim do caminho".
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado com numerosas medidas coercitivas e unilaterais.
