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'Inaceitável': Lula compara pedido dos EUA sobre minerais críticos à colonização

Presidente diz que Brasil não repetirá o modelo do ciclo do ouro, em que o país ficou "com os buracos" enquanto Portugal e Inglaterra lucraram com a riqueza.
'Inaceitável': Lula compara pedido dos EUA sobre minerais críticos à colonizaçãoGettyimages.ru / Mateus Bonomi/Anadolu via Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a comparação com o período colonial português para classificar como "inaceitável" uma exigência dos Estados Unidos relacionada à exploração de minerais críticos no Brasil. A declaração ocorreu em entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia, nesta quinta-feira (17)

O pedido americano foi apresentado dentro das negociações para encerrar o tarifaço imposto pelo governo Trump e foi descartado pelo Planalto assim que chegou. "Era inaceitável o documento de um país que quer ter prioridade na riqueza mineral do nosso país", afirmou o presidente.

Para o presidente, aceitar as condições propostas pelos americanos significaria repetir a relação de exploração durante a colonização portuguesa, desta vez em torno das terras raras e demais minerais estratégicos. "A gente não quer mais fazer como no ciclo do ouro, em que o Brasil ficou com os buracos, Portugal ficou com os palácios e a Inglaterra desenvolveu a sua indústria", disse.

O presidente afirmou que a proposta dos EUA — tornada pública nesta quinta-feira, no mesmo dia em que ele sancionou a lei que regula a exploração de minério crítico no país — sequer chegou a entrar em discussão no governo. Segundo ele, tratava-se de uma correspondência antiga, já arquivada, referente ao primeiro contato feito pelos americanos sobre o tema.

"Esse documento que foi publicado hoje é um documento velho, que já estava no nosso arquivo morto, que foi a primeira comunicação que nós recebemos e recusamos", declarou Lula, acrescentando estranhar a coincidência com a data da sanção da nova lei sobre o tema.

"Precisamos saber como explorar e o que explorar"

Lula defendeu que o Brasil invista em tecnologia própria para mapear com precisão onde estão e qual é o volume dos minerais críticos disponíveis em seu território, de modo a explorar e processar essa riqueza dentro do país.

"Nós precisamos saber como explorar e o que explorar. Quem vai cuidar das minas? Quem vai fazer as baterias? Quem vai fazer o chip?", questionou o presidente.

Segundo ele, essa lógica orienta a nova regulação do setor, que não proíbe a entrada de capital estrangeiro, mas impõe uma condição às empresas de fora que queiram investir no país.

"A condição sine qua non para vir fazer investimento aqui no Brasil é saber que o processo tem que ser transformado no Brasil, para a gente exportar valor agregado e não exportar apenas minério", concluiu.