EUA preparam envio de drones MQ-9 Reaper da África para a América do Sul

Movimento antecede operações antidrogas e antiterrorismo previstas na região, inclusive possíveis ações no Equador.

Os Estados Unidos devem transferir drones MQ-9 Reaper que operam na África para o comando militar responsável pela América do Sul. A movimentação irá ocorrer em meio ao envio de equipamentos militares à região para operações antidrogas e antiterrorismo previstas com países parceiros, segundo reportagem da CNN publicada nesta sexta-feira (18), que cita seis fontes familiarizadas com o planejamento.

Ainda não está claro quantos MQ-9 do Comando dos Estados Unidos para a África serão transferidos ao Comando Sul. Uma das fontes disse que será "a maioria" dos aparelhos.

Essa fonte e outras duas afirmaram que a transferência antecede possíveis ações no Equador. O país começou neste ano a realizar operações militares com os Estados Unidos contra "organizações terroristas designadas".

Os MQ-9 são usados para coleta de inteligência e ataques de precisão. Outra fonte afirmou que ainda há discussões sobre o envio de parte dos drones ao Oriente Médio, onde os Estados Unidos perderam equipamentos, incluindo MQ-9, na guerra contra o Irã.

A retirada de aeronaves da África ocorre apesar das preocupações com grupos como Estado Islâmico e al-Shabaab. Fontes disseram que as operações contra grupos terroristas continuarão, mas algumas manifestaram preocupação de que a transferência dos drones possa torná-las mais difíceis. O Pentágono não comentou o tema.

Parcerias regionais

Em janeiro, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, classificou a defesa do território dos Estados Unidos e do Hemisfério Ocidental como a principal prioridade do Pentágono na Estratégia Nacional de Defesa.

Em agosto, durante uma conferência no Panamá, Hegseth elogiou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia pelas parcerias com os Estados Unidos e pelos convites para operações militares conjuntas contra "narcoterroristas".

"Colômbia já solicitou que o Departamento de Guerra se junte à Colômbia em sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas", disse Hegseth.

Durante visita à região, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que os Estados Unidos buscavam inaugurar uma "era de ouro" na relação com a Colômbia. O presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, fechou acordo com os Estados Unidos para o empréstimo de três drones MQ-9A Reaper destinados ao monitoramento de rotas do tráfico e a possíveis ataques de precisão.

Na quinta-feira (17), a Embaixada dos Estados Unidos no Panamá anunciou a entrega de mais de US$ 6 milhões (cerca de R$ 30,9 milhões) em sistemas de drones de longo alcance, diferentes dos MQ-9. Segundo a embaixada, os equipamentos permitirão ao Serviço Nacional Aeronaval monitorar fronteiras remotas, proteger corredores marítimos estratégicos e combater redes de tráfico de drogas e de pessoas.

Operações no Caribe

No ano de 2025, os Estados Unidos já haviam deslocado uma combinação de drones MQ-9, caças F-35 e ao menos um avião AC-130 para o Caribe durante a campanha contra embarcações apontadas como usadas pelo tráfico.

O Departamento de Guerra realiza ataques contra supostos traficantes no Caribe e no Pacífico oriental. Segundo a CNN, as ações mataram ao menos 230 pessoas.

Autoridades policiais e especialistas ouvidos anteriormente pela CNN disseram não estar claro se os ataques tiveram impacto real e duradouro sobre o tráfico de drogas na região. Um especialista classificou a campanha como "performática".

Nas últimas semanas, os Estados Unidos passaram a interceptar mais de meia dúzia de embarcações, retirar suas tripulações e transferi-las a países parceiros antes de afundá-las.

Rubio disse que a mudança ocorreu porque as operações passaram a ser realizadas em coordenação com outros países.

"Quando você realiza uma operação conjunta em águas territoriais, é preciso chegar a um entendimento sobre como essas operações vão ocorrer", disse Rubio. "E cada um desses países tem suas próprias leis, tem seus próprios sistemas que precisa cumprir. Alguns podem ser mais agressivos que outros."

Os Estados Unidos, porém, não abandonaram ataques contra embarcações com tripulantes. Os militares americanos disseram ter matado três pessoas em um ataque contra um barco apontado como usado pelo tráfico de drogas no Caribe em 9 de setembro.