A França enviará soldados, radares e sistemas de defesa à Arábia Saudita para proteger uma importante instalação petrolífera na costa do Mar Vermelho, gravemente danificada por um ataque dos Houthis. A afirmação foi feita nesta quinta-feira (24) pelo presidente francês, Emmanuel Macron.
"Comprometemo-nos a garantir sua segurança. Portanto, hoje concluímos esta conversa com os sauditas: vamos enviar meios militares, ou seja, soldados, radares e sistemas de defesa, para proteger esse local", afirmou Macron em declarações a um canal de televisão francês.
O presidente descartou que a medida represente uma participação da França no conflito armado na região. "Não se trata de nos envolvermos em nenhum conflito, mas de proteger essa instalação", enfatizou.
Questionado sobre um eventual envio de caças Rafale, Macron afirmou que a evolução do deslocamento dependerá das necessidades e lembrou que a França já mantém presença aérea na região.
O presidente também destacou a importância estratégica da instalação petrolífera. "Há algumas semanas, saíam dali todos os dias mais de cinco milhões de barris. Não é algo insignificante", afirmou.
- A escalada entre Riade e o movimento Houthi começou em julho e representou, na prática, o fim da frágil trégua que havia congelado as linhas de frente no Iêmen desde 2022. Os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e ampliaram suas ações contra alvos ligados ao país, enquanto Riade intensificava suas operações militares no Iêmen.
- Os Houthis tomaram neste mês a cidade portuária de Moka, na costa ocidental do Iêmen, e continuam avançando. A captura da cidade reforça o controle do movimento sobre uma importante artéria marítima, o Estreito de Bab el-Mandeb, que se conecta ao Canal de Suez pelo Mar Vermelho e é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias entre Europa e Ásia.
- O oleoduto Leste-Oeste, que transporta petróleo das regiões orientais até o porto de Yanbu, foi recentemente alvo de vários ataques que levaram à suspensão de seu uso. A infraestrutura tem importância estratégica para Riade por escoar uma parte relevante das exportações e permitir que o petróleo evite o Estreito de Ormuz, fortemente afetado pela guerra entre Estados Unidos e Irã.