Neste domingo (27), os eleitores suíços vão às urnas para decidir se o país deve adotar regras mais rígidas a respeito da neutralidade em sua Constituição.
Os proponentes da Iniciativa de Neutralidade — associação de partidos de direita Pro Schweiz — defendem consagrar que o país não adira nem coopere com qualquer aliança militar ou de defesa (salvo em caso de ser atacado), não participe em conflitos armados entre países terceiros, não imponha sanções contra as partes beligerantes (salvo as avalizadas pela ONU) e utilize sua neutralidade para desempenhar o papel de "mediador de paz com credibilidade".
A Iniciativa de Neutralidade foi proposta depois que Berna violou sua histórica postura neutra ao apoiar as sanções da União Europeia contra a Rússia por lançar sua operação militar especial contra a Ucrânia em 2022.
No entanto, o Executivo suíço rejeitou esta iniciativa, cuja aprovação proibiria legalmente a participação em regimes de sanções. Seu argumento central reside no fato de que isso "limitaria a flexibilidade" de sua política externa.
Tendência de rejeição
Uma sondagem representativa mostra que os eleitores suíços tendem a rejeitar a Iniciativa de Neutralidade: 54% desaprovam a proposta, 34% a apoiam e 12% não responderam.
O levantamento, publicado em junho, ouviu 26 mil pessoas (a Suíça tem cerca de 9,1 milhões de habitantes).
A neutralidade perpétua suíça foi consagrada no Tratado de Paris de 1815, após a derrota de Napoleão, e ratificada em 1907 pelas Convenções de Haia. Ainda assim, foi violada várias vezes — como na Segunda Guerra Mundial, quando a Suíça vendeu armas à Alemanha nazista e fechou as fronteiras a refugiados judeus.