A cotação do petróleo subiu bruscamente nesta segunda-feira (28) nos mercados asiáticos, após a rejeição, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da proposta iraniana de estabelecer uma trégua e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de hidrocarbonetos.
Diante da ausência de um acordo para resolver o conflito, o preço do petróleo de referência Brent subiu 3,5%, chegando a US$ 107,95 por barril em Londres, antes de estabilizar em US$ 107,40, informa o Financial Times.
A subida gerou preocupação com pressões inflacionárias de longo prazo, o que provocou um aumento nas vendas de ativos de renda fixa e variável em nível global.
Consequentemente, o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos subiu para 5,22%, enquanto o título alemão (Bund) de uma década atingiu 3,63%, seu nível mais alto desde 2011.
Foram registradas perdas nos contratos futuros dos índices S&P 500 e Nasdaq 100 de Wall Street, bem como nas principais bolsas da região da Ásia-Pacífico, onde o índice chinês CSI 300 caiu 2,2% e o sul-coreano Kospi recuou 2,7%.
Analistas financeiros descreveram a situação atual das negociações entre os EUA e o Irã como um "impasse". Especialistas de instituições como Deutsche Bank e BNY apontaram que as restrições no fornecimento de energia continuarão a influenciar os mercados, enquanto outros alertaram que a combinação de crescimento econômico e aumento dos custos de energia eleva o risco para as expectativas de inflação.
Sem trégua: Trump planeja retomar ataques
Segundo autoridades americanas citadas pelo Wall Street Journal, Trump rejeitou na sexta-feira (25) uma proposta iraniana de cessar-fogo de sete dias apresentada pelo chanceler Abbas Araghchi; a proposta previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações nucleares em troca do levantamento do bloqueio naval, da liberação de ativos congelados e do alívio das sanções ao setor petrolífero.
Trump teria comunicado aos seus assessores que espera retomar os bombardeios após as eleições de meio de mandato de novembro, embora as autoridades apontem sua relutância em realizar operações em larga escala para preservar os estoques de munição.
Por sua vez, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que as eleições e a política interna dos EUA não influenciam os cálculos diplomáticos da República Islâmica.