As forças do governo internacionalmente reconhecido do Iêmen anunciaram na segunda-feira (5) a retomada da estratégica cidade portuária de Mocha, no sudoeste da província de Taiz, após combates intensos contra o grupo Houthi.
A ação, apoiada pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, faz parte da "Operação Amanhecer do Iêmen", ofensiva de larga escala destinada a recuperar territórios controlados pelos rebeldes, incluindo a capital Sana'a e o acesso litorâneo ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb.
Os Houthis, contudo, rejeitaram as alegações. O vice-governador de Taiz pelo grupo, Fuad Sinan, divulgou vídeo circulando pelas ruas de Mocha negando a queda da cidade. Uma fonte anônima contestou à agência chinesa Xinhua que o anúncio governamental seria "prematuro" e parte de uma "batalha propagandística".
O porta-voz da coalizão saudita, general Turki al-Maliki, confirmou o emprego de 100 caças na operação e afirmou que foram destruídos centenas de alvos de alto valor estratégico para os houthis, incluindo depósitos de armas de armazéns de minas navais.
A operação ocorre logo após decisão dos membros do Acordo de Meca — Arábia Saudita, Turquia e Paquistão —, que acionaram mecanismos de defesa coletiva, mobilizando tropas para território saudita em resposta aos ataques houthis.
- A escalada entre o reino saudita e o movimento Houthi começou em julho e, na prática, pôs fim à frágil trégua que mantinha congeladas as linhas de frente no Iêmen desde 2022. Os Houthis aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita e ampliaram as ações contra alvos ligados ao país, enquanto Riade intensificava suas operações militares no Iêmen.
- Em setembro, os Houthis tomaram a cidade portuária de Mocha, na costa oeste do Iêmen. A conquista reforçou o controle do grupo sobre uma importante artéria marítima, o Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Canal de Suez e é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias entre a Europa e a Ásia.
- Apesar das acusações sauditas, os Houthis negam reiteradamente qualquer tentativa de atacar Meca e Medina, locais sagrados para os muçulmanos.