O presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, visitou na terça-feira (6) Riad, onde manteve conversações com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman,informa a Saudi Press Agency (SPA).
Segundo a versão oficial, ambos "trocaram opiniões sobre os últimos acontecimentos na região e sobre questões de interesse mútuo, com o objetivo de contribuir para o fortalecimento da segurança e da estabilidade regional".
De acordo com o portal Axios e a agência Reuters, que citam funcionários americanos, a Arábia Saudita pediu à Síria durante o encontro que enviasse militares ao Iêmen para apoiar as forças pró-governamentais contra os Houthis.
Al-Sharaa ainda não tomou uma decisão, segundo as fontes. O Axios afirma que Washington foi informado das conversas e que os EUA não se opunham, em princípio, a uma eventual participação síria.
Momento-chave
A notícia chega num momento de forte escalada da guerra no Iêmen. Depois que a Arábia Saudita lançou intensos ataques aéreos contra os Houthis para apoiar o avanço terrestre das forças pró-governamentais, os rebeldes responderam com mísseis e drones contra alvos sauditas, incluindo aeroportos e instalações energéticas.
Ao mesmo tempo, o avanço das forças apoiadas por Riad vem enfrentando dificuldades consideráveis.
Diante da situação, a Arábia Saudita buscou apoio junto a parceiros regionais. No âmbito do Pacto de Defesa de Meca, Turquia e Paquistão já concordaram em estudar medidas para reforçar a defesa saudita contra os Houthis. Ancara, no entanto, deixou claro que sua participação será apenas defensiva, sem operações ofensivas no Iêmen.
Para a Síria, entrar na guerra é uma questão complexa. Apesar da rápida aproximação entre Damasco e Riad após a queda de Bashar al-Assad no final de 2024, as autoridades sírias ainda não confirmaram se pretendem enviar tropas ao Iêmen.
O Ministério da Informação da Síria desmentiu as informações sobre uma possível entrada das Forças Armadas da República Árabe na guerra do Iêmen ao lado da coalizão saudita. "Damasco apoia firmemente o Reino da Arábia Saudita, mas sua política não contempla a abertura de novos frontes", sublinhou a pasta em um comunicado.
Nesse contexto, trata-se apenas de uma possível ajuda militar síria à Arábia Saudita, e não de uma decisão tomada de enviar tropas ao Iêmen.
- A escalada do conflito entre a Arábia Saudita e o movimento Houthi estourou em julho e significou, na prática, o fim da frágil trégua que havia congelado as linhas de frente no Iêmen desde 2022. Os Houthis aumentaram a pressão sobre os sauditas e ampliaram suas ações contra alvos vinculados ao país, enquanto Riad intensificava suas operações militares no Iêmen.
- Em setembro, os Houthis tomaram a cidade portuária de Mocha, na costa ocidental do Iêmen. A tomada da cidade reforçou o controle do movimento sobre o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico e é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, crucial para o transporte de petróleo e mercadorias entre Europa e Ásia através do Canal de Suez.