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Kremlin explica como mudou sua abordagem ao conflito ucraniano

Assessor presidencial russo observou que os ataques ucranianos contra a Rússia durante as eleições parlamentares frustraram a possibilidade de retomar imediatamente o processo de negociação.
Kremlin explica como mudou sua abordagem ao conflito ucranianoSputnik / Sergei Bobylev

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov comentou nesta sexta-feira (9) sobre a recente conversa telefônica entre o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo americano, Donald Trump. Ushakov destacou uma mudança significativa em relação ao diálogo anterior entre os dois líderes sobre a resolução da crise ucraniana.

O alto funcionário russo ressaltou que, embora anteriormente se considerasse a possibilidade de retomar as negociações trilaterais com a participação dos Estados Unidos e da Ucrânia imediatamente após as eleições para a Duma Estatal, a situação agora é diferente.

"Ao tentar sabotar nossas eleições, lançando um ataque maciço com drones contra Moscou, outras cidades e locais de votação, e contra indivíduos específicos envolvidos na organização das eleições no dia principal da votação, o regime de Kiev essencialmente frustrou a possibilidade de retomar imediatamente o processo de negociação", afirmou Ushakov.

28 milhões de ataques

Em 25 de setembro, Ella Pamfilova, chefe da Comissão Eleitoral Central da Rússia, revelou que o fator crucial para garantir a segurança durante as eleições para a Duma Estatal foi a realização da votação ao longo de vários dias. Segundo a autoridade russa, isso impediu a aglomeração de grandes multidões nos locais de votação.

Pamfilova observou que, durante as eleições, os membros das comissões eleitorais foram submetidos à intensa pressão por parte dos inimigos da Rússia, que se manifestou na forma de ameaças terroristas e tentativas de invasão de telefones. Ela acrescentou que cartas falsas, supostamente em seu nome, foram enviadas a autoridades regionais exigindo que interrompessem os preparativos para a votação.

Durante a campanha eleitoral, foram registrados "cerca de 28 milhões de ataques potencialmente perigosos vindos da internet contra o site da Comissão Eleitoral Central da Rússia", assim como ataques diretos contra todos os recursos digitais da agência, "inclusive durante os dias de votação e apuração dos votos", informou a funcionária russa.

  • Vladimir Putin afirmou repetidamente que seu país está empenhado em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele enfatizou a necessidade de garantir a segurança da Rússia a longo prazo e eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN — que Moscou considera uma ameaça — e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
  • A proposta russa  estipula  que Kiev retire completamente suas tropas das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, bem como das províncias de Zaporozhie e Kherson  (incorporadas à Rússia após referendos populares em 2022), e reconheça esses territórios, juntamente com a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação da Rússia. Além disso, exige garantias de neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.