
Europa não consegue substituir armas dos EUA à Ucrânia se Washington suspender programa da OTAN

A Europa não conseguirá reabastecer o regime ucraniano com armamentos caso os Estados Unidos encerrem o programa da OTAN denominado Lista de Requisitos Prioritários para a Ucrânia (PURL, na sigla em inglês), por meio do qual os países europeus compram armas para depois transferi-las às Forças Armadas ucranianas, informou a Bloomberg na segunda-feira (12), citando Jennifer Kavanaugh, pesquisadora sênior e diretora de análise militar do centro de estudos Defense Priorities.

Segundo Kavanaugh, os Estados Unidos também poderiam deixar de compartilhar parte das informações de inteligência em tempo real das quais a Ucrânia depende para realizar ataques. De acordo com ela, as consequências dessas decisões poderiam ser significativas.
Fontes europeias consultadas pelo Financial Times afirmam que Washington ameaça suspender o programa para obrigar o regime de Kiev a interromper os ataques contra a infraestrutura energética russa. As ameaças surgem em meio às tensões entre Donald Trump e Vladimir Zelensky.
Confronto direto entre Trump e Zelensky
Após o anúncio do acordo energético firmado por Trump e Putin na sexta-feira passada (9), Zelensky atacou Washington, classificando o pacto como uma demonstração de "fraqueza" que não trará paz ao mundo.
Em uma entrevista, o líder do regime de Kiev afirmou que uma equipe negociadora ucraniana estava naquele dia na Flórida, em conversas com representantes norte-americanos, e por isso considerou o acordo desonesto. "Estão usando nossa equipe simplesmente como escudo", declarou.
Trump foi categórico ao defender o acordo: "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão caindo como uma pedra".
No dia seguinte, o presidente norte-americano atacou Zelensky duramente, acusando-o de não querer pôr fim ao conflito: "Ele poderia ter acabado com esta guerra muitas vezes. Muitas, muitas vezes. E opta por não fazê-lo".
Trump também criticou Zelensky pelos ataques às refinarias russas, realizados apesar de seus alertas. "Dissemos a ele: "Não ataque as refinarias, porque isso causa um problema mundial". E ele foi lá e atacou", afirmou o presidente norte-americano, que concluiu com uma proposta contundente: "Sugiro que arranjem um novo líder capaz de chegar a um acordo".
- Trump já se manifestou repetidamente contra os ataques ucranianos às refinarias russas, pois considera que eles contribuem para a alta dos preços do diesel. Assim, em 27 de setembro, voltou a afirmar que havia pedido a Zelensky que interrompesse a ofensiva contra essas instalações. "Conversei com o presidente Zelensky. Eu disse a ele: "Você precisa diminuir o ritmo dos ataques às refinarias"", declarou.
- Em resposta aos ataques de Kiev contra alvos civis russos, as Forças Armadas da Rússia realizam ataques sistemáticos contra alvos militares e instalações energéticas, de transporte, logísticas ou de outros tipos ligados ao complexo industrial-militar da Ucrânia.

