Kiev admite que OTAN não lhe forneceu a tempo informações de inteligência sobre mísseis balísticos russos

Durante a noite de segunda-feira (12), as sirenes soaram na capital ucraniana apenas após o impacto dos mísseis contra alvos ligados às Forças Armadas da Ucrânia.

O regime de Kiev admitiu que, na noite de segunda-feira (12), sua defesa antiaérea não conseguiu reagir a tempo aos mísseis balísticos russos devido à falta de dados de inteligência por parte de seus aliados ocidentais. O líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, confirmou nesta terça-feira (13), nas redes sociais, o ataque russo com cinco mísseis balísticos contra Kiev.

"Em relação a este ataque, lamentavelmente, não houve aviso por parte de nossos parceiros", disse Zelensky.

As forças russas lançaram, durante a noite e a madrugada, um ataque combinado com armas de precisão terrestres e drones contra instalações do complexo militar-industrial ucraniano e outros alvos utilizados pelas tropas do regime de Kiev em 142 áreas.

Em Kiev, foram atingidos uma oficina da fábrica Pulp Mill Print — onde eram fabricados mísseis e drones de longo alcance — e o depósito de locomotivas de Darnitsa, responsável pelo reparo e restauração de trens utilizados para abastecer as forças ucranianas com cargas militares e de duplo uso.

As declarações de Zelensky foram corroboradas pelo porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, Yuri Ignat, que atribuiu o fato a "questões técnicas". "De fato, esse tipo de situação acontece. E não apenas conosco, não apenas na região de Kiev, mas também nas zonas de frente de batalha. Quando se ouve primeiro a explosão — o impacto de algum meio de ataque aéreo — e só depois soa o alarme. Lamentavelmente, são casos que ocorrem", declarou.

"Falhas técnicas" ou ameaça dos EUA em ação?

Ao ser questionado se o atraso no alerta se devia às informações que circulam na mídia de que os EUA poderiam deixar de compartilhar dados de inteligência com Kiev, Ignat afirmou que não é apenas Washington que compartilha esse tipo de dado, mas também outros parceiros da OTAN.

Ele detalhou que os dados de inteligência via satélite do Ocidente são "de extrema importância" para a Ucrânia, pois permitem rastrear a trajetória de mísseis russos, a atividade da aviação estratégica russa e as embarcações nos mares Negro e Cáspio. Além disso, indicou que as forças ucranianas utilizam essas informações para lançar ataques contra o território russo.

Ignat justificou a falha nessa cadeia citando problemas de comunicação com os aliados ocidentais: "Há certos aspectos técnicos, e vocês entendem que dependemos da cooperação com os parceiros. [...] Enfim, se desta vez houve certas falhas técnicas, confio que os especialistas investigarão o caso e, juntamente com nossos aliados, solucionarão esse problema", concluiu.

Essas declarações ocorrem em meio a um clima de incerteza informativa, especialmente após a reportagem de 11 de outubro do jornal Financial Times, que, citando autoridades europeias anônimas, informou que a administração dos EUA estaria ameaçando o regime de Kiev com a suspensão dos programas de compra de armamentos e do fornecimento de informações de inteligência.