
'Tempestade política' na União Europeia: o que está acontecendo?

A União Europeia enfrenta um cenário incomum, com suas quatro maiores economias envolvidas em processos eleitorais ou crises políticas que ameaçam a capacidade do bloco de tomar decisões, informou o jorbal Politico nesta segunda-feira (19).
A publicação observa que esses países juntos representam aproximadamente 60% do PIB e da população do bloco.

A Espanha convocou eleições antecipadas para novembro; a França elegerá um presidente em abril; a Itália terá eleições dentro de um ano, e o governo de Giorgia Meloni provavelmente não durará até outubro de 2027.
O centro governista está perdendo terreno nas eleições regionais na Alemanha. Em conjunto, esse seria o cenário de uma "tempestade política perfeita", segundo a publicação.
O presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, alertou que as eleições na Espanha impossibilitarão um acordo político sobre o orçamento antes do final do ano, apesar do consenso sobre a necessidade de se chegar a um acordo dentro desse prazo.
Com eleições marcadas para o próximo ano na França, Itália e outros países, ele previu complicações ainda maiores. A última cúpula europeia evidenciou essas dificuldades ao não conseguir avançar nas negociações sobre o orçamento de 2 trilhões de euros após dois dias de negociações.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, enfrenta resistência dos países-membros para estabelecer um prazo até o final de 2026, apesar de cúpulas estarem agendadas para novembro e dezembro.
Caso as reuniões não resultem em um acordo, as negociações se arrastarão até 2027, quando as disputas eleitorais dominarão o cenário e os governos estarão mais relutantes em ceder.
Na França, as eleições ameaçam à liderança de Emmanuel Macron. "Agora temos uma Europa sem um líder evidente", comentou um diplomata europeu.
Condições externas
As condições externas podem agravar ainda mais a paralisia da UE, à medida que os Estados Unidos desafiam as alianças tradicionais e a China reforça o seu controlo sobre as cadeias de abastecimento.
Ao mesmo tempo, a Ucrânia enfrenta um défice orçamental de dezenas bilhões de dólares, e não existe nenhuma entidade, além das próprias instituições supranacionais europeias, disposta a cobrir este défice.
