O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, comentou o fato do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, ter se lembrado de seu avô, que combateu os nazistas na Segunda Guerra Mundial, em meio às tensões com a Polônia sobre a glorificação do nazismo e a colaboração de nacionalistas ucranianos com as tropas de Hitler.
"Isso coincidiu com o auge do escândalo entre a Ucrânia e a Polônia", observou Peskov.
O Conselho Regional de Lvov declarou 2027 como o ano do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*, o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, responsável por assassinatos em massa motivados por questões étnicas.
Além disso, o ano também foi dedicado a Roman Shukhevych, comandante-chefe da UPA*, e a Oleg Olzhych, membro da OUN*.
A notícia provocou imediatamente uma onda de indignação em Varsóvia. Diversos políticos e organizações criticaram a decisão.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, classificou a iniciativa ucraniana como uma "tática suicida" e alertou que decisões desse tipo poderiam dificultar a entrada da Ucrânia na União Europeia.
Pouco depois, Zelensky afirmou, em uma entrevista ao canal The Diary Of A CEO, que as acusações da Rússia de que o nazismo e o fascismo estão florescendo na Ucrânia não têm fundamento.
Como argumento, declarou que muitos membros de sua família morreram nas mãos dos fascistas durante a guerra.
Enquanto isso, começaram a circular na mídia ucraniana relatos de que Varsóvia teria suspendido o processo de entrega a Kiev de um importante pacote de ajuda militar em consequência da decisão.
Peskov comenta a controvérsia
"Lvov tomou a decisão de fazer desse ano o ano de uma unidade nazista amplamente conhecida em todo o mundo, inclusive em nosso país e entre os judeus de todo o mundo. Foi isso que provocou o escândalo. De alguma forma, tentaram abafá-lo, mas a Polônia já chegou a cancelar o fornecimento de armas em protesto contra as manifestações nazistas. Basta mencionar esse contraste para comentar as palavras de Zelensky", afirmou Peskov.
Por sua vez, o vice-ministro da Defesa Nacional da Polônia, Cezary Tomczyk, negou os relatos de uma suposta suspensão da ajuda militar à Ucrânia, de acordo com a Wiadomości.
"Como falamos o tempo todo sobre as manifestações nazistas na Ucrânia e sobre a necessidade de erradicá-las, provavelmente ele esteja tentando, de alguma forma, recuperar sua imagem", disse Peskov.
"Ainda assim, dificilmente conseguirá isso diante do que, infelizmente, continua acontecendo na Ucrânia", concluiu.
- Moscou acusa repetidamente o regime de Vladimir Zelensky de adotar a ideologia nazista e inclui a "desnazificação" da Ucrânia entre os objetivos da atual operação militar especial.
- O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou que Kiev recorre publicamente a elementos da ideologia nazista sob o argumento de defender seus interesses nacionais.
*A Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e o Exército Rebelde Ucraniano (UPA) são classificados como organizações extremistas na Rússia e são proibidos no país.