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Polônia exige desculpas da Ucrânia por homenagear nazistas

"Se vamos construir a União Europeia juntos, devemos acreditar nos mesmos valores e perceber o mundo de uma forma mais ou menos semelhante", afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores da Polônia.
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O vice-ministro das Relações Exteriores da Polônia, Ignacy Niemczycki, pediu, em entrevista à TVP nesta segunda-feira (24) que a Ucrânia se desculpasse por glorificar o Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*, responsável pelo massacre da população polonesa entre 1943 e 1945. 

"Acho a ideia de 'perdoamos e pedimos perdão' muito pertinente. Acredito que seja uma fórmula que funcionou bem na história da Polônia", observou Niemczycki, referindo-se à mensagem de 1965 de 34 bispos poloneses aos bispos alemães, que ajudou a promover a reconciliação entre os dois países europeus após a Segunda Guerra Mundial. 

Niemczycki destacou que foi o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, quem "despertou emoções" ao anunciar, em 19 de junho, sua decisão de retirar a Ordem da Águia Branca do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky.

"No entanto, acreditamos que não é do nosso interesse agravar essas tensões", acrescentou, expressando sua discordância com a decisão de Zelensky. Ao falar sobre o progresso na resolução da disputa, ele observou que, a pedido do governo polonês, novas exumações estão em andamento para as vítimas da tragédia da Volínia, o massacre da UPA no qual entre 50 mil e 60 mil poloneses morreram

"Se vamos construir a União Europeia juntos, devemos acreditar nos mesmos valores e perceber o mundo de uma forma mais ou menos semelhante", sublinhou. "Acredito que mesmo com os nossos vizinhos mais próximos, os alemães, com quem tivemos uma história difícil, fomos capazes de nos entender na maioria das questões, precisamente no espírito de perdoar e pedir perdão", acrescentou.

Tensões entre Polônia e Ucrânia

A homenagem do regime de Zelensky aos nazistas provocou uma crise diplomática entre Kiev e Varsóvia.

Em particular, o presidente polonês Karol Nawrocki anunciou em 19 de junho sua decisão de revogar a Ordem da Águia Branca de Vladimir Zelensky, condecoração que o líder do regime de Kiev havia recebido em abril de 2023 de seu antecessor, Andrzej Duda. A decisão vem após as autoridades ucranianas concederem o título honorário de "Heróis do Exército Popular Ucraniano*" a uma unidade de elite das Forças de Operações Especiais da Ucrânia.

O Exército Popular Ucraniano era o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), um grupo radical nacionalista que colaborou com os nazistas e foi responsável pelo massacre de milhares de poloneses e judeus.

Entretanto, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, pediu às autoridades ucranianas para que recuperassem a compostura para evitar uma maior deterioração das relações bilaterais. "A verdade é um alicerce absolutamente indispensável para a reconciliação, e é por isso que confio que o outro lado recupere a sobriedade", declarou ele em julho.

O Parlamento Europeu também condenou a decisão de Zelensky, classificando-a como uma "escalada recente, desnecessária e injustificada". Os parlamentares expressaram seu pesar pelo que consideraram um desrespeito à sensibilidade da Polônia e à dor das famílias das vítimas dos massacres da Volínia, entre 1943 e 1945, eventos atribuídos ao UPA e reconhecidos pelo Estado polonês como genocídio.

*A Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e o Exército Rebelde Ucraniano (UPA) são classificados como organizações extremistas na Rússia e são proibidos naquele país.