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Dia do Aviador: o brasileiro que fez história nos céus de Paris com o 14-bis

Há 120 anos, Santos Dumont entrou para a história com um voo de apenas sete segundos.
Dia do Aviador: o brasileiro que fez história nos céus de Paris com o 14-bisGettyimages.ru / Touring Club Italiano / Universal Images Group

Alberto Santos Dumont, inventor brasileiro nascido em Minas Gerais, ganhou notoriedade na França por seus projetos aeronáuticos.

Segundo o UOL, depois de realizar experiências com balões e dirigíveis, passou a explorar novas possibilidades para fazer uma aeronave mais pesada que o ar voar por meios próprios.

Um voo que entrou para a história

A experiência decisiva ocorreu em 23 de outubro de 1906, nos arredores de Paris. Diante de representantes do Aeroclube da França e de pessoas que acompanhavam a demonstração, o 14-bis percorreu aproximadamente 60 metros, mantendo-se a cerca de 3 metros do chão por 7 segundos.

A preparação para esse momento envolveu uma série de testes. Antes de funcionar como avião independente, o 14-bis chegou a ser acoplado ao dirigível nº 14, utilizado pelo inventor em experimentos anteriores. As tentativas realizadas nos meses que antecederam a apresentação pública serviram para aperfeiçoar o comportamento da máquina no ar.

A aeronave reunia materiais leves, como bambu, madeira e seda, e era equipada com um motor a gasolina e uma hélice.

O projeto tinha características pouco convencionais: o piloto ficava na parte posterior da estrutura. 

A aeronave recebeu também o nome francês Oiseau de Proie, traduzido como "ave de rapina".

O voo garantiu ao brasileiro o cumprimento das condições estabelecidas para a Taça Archdeacon, iniciativa financiada pelo francês Ernest Archdeacon para estimular a construção de aeronaves. Para conquistar o prêmio, era necessário superar a distância de 25 metros, marca ultrapassada pelo aparelho de Santos Dumont.

Recorde de distância e novas conquistas

Em 12 de novembro de 1906, o inventor alcançou outro resultado expressivo em Bagatelle, ao percorrer 220 metros em 21 segundos, a aproximadamente 6 metros de altura.

A Federação Aeronáutica Internacional reconheceu o percurso como recorde mundial de distância, e o voo também rendeu ao brasileiro um prêmio de 1.500 francos do Aeroclube da França.

Em 4 de abril de 1907, após modificações, o 14-bis voltou a voar em Saint-Cyr, na França, mas caiu depois de percorrer cerca de 50 metros, e Santos Dumont optou por não consertá-lo.

Embora o avião original não tenha sido preservado, réplicas podem ser encontradas em instituições brasileiras, como o Musal (Museu Aeroespacial da Força Aérea Brasileira), no Rio de Janeiro, e o Mapa (Museu Aeroespacial Paulista), em São Paulo.

Experimentos com dirigíveis antes do 14-bis

Antes de desenvolver seu histórico 14-bis, Santos Dumont já experimentava com balões e dirigíveis em território francês.

Em 1901, durante uma tentativa de conquistar o Prêmio Deutsch, que exigia contornar a Torre Eiffel e retornar a Saint-Cloud em até 30 minutos, seu dirigível nº 5 colidiu com o Hotel Trocadéro, deixando o inventor suspenso na estrutura do edifício até ser resgatado, сonforme relatou O Globo.

Invenções que iam além da aviação

A curiosidade por mecanismos e soluções práticas também se manifestava fora da aviação. Santos Dumont incentivou o amigo Louis Cartier a desenvolver um relógio de pulso, pois considerava inconveniente consultar as horas retirando um relógio do bolso.

Em Petrópoles, Santos Dumont construiu em 1918 a Encantada, uma casa de veraneio que reunia soluções pensadas para aproveitar melhor os espaços. Entre elas estão uma escada com degraus recortados, móveis multifuncionais e um chuveiro aquecido a álcool que permitia ajustar a temperatura da água.

Legado do inventor brasileiro

Santos Dumont também registrou suas experiências e reflexões sobre o desenvolvimento da aviação no livro "O que eu vi, o que nós veremos".

Em 1931, foi eleito para a cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, mas não chegou a tomar posse.

Em 23 de julho de 1932, Santos Dumont foi encontrado morto no seu quarto de hotel no Guarujá; ele se suicidou por enforcamento.Sua cidade natal, Palmira, foi rebatizada com o nome do seu filho mais ilustre em 31 de julho daquele ano, de acordo com a Academia Brasileira de Ciências.

O Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi inaugurado em homenagem ao aviador brasileiro e é considerado um dos primeiros aeroportos civis do país.