'Próspero 51º estado dos EUA': Trump quer anexar Venezuela e realizar eleições para governador

A ideia não é nova: o presidente americano já expressou publicamente esse desejo, rejeitado por Caracas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu novamente que seu país poderia anexar a Venezuela e transformá-la no 51º estado americano, em razão de suas vastas reservas de petróleo.

"Ela se tornará um país próspero e, quem sabe, talvez um dia, em um futuro não muito distante, se torne um próspero 51º estado. É possível. Vamos tornar isso realidade. Vamos transformá-la no 51º estado e, em vez de [eleições para escolher] um presidente, vamos realizar eleições para escolher um governador. O que vocês acham? Sabem? Eles têm muito petróleo", afirmou Trump durante um comício na cidade de Corpus Christi, no qual também declarou que Washington está "extraindo muito petróleo" venezuelano, que chega aos EUA "em grandes quantidades".

Mais cedo, o republicano vangloriou-se de ter "assumido o controle da Venezuela com grande sucesso" e de ter conseguido um acordo petrolífero vantajoso com as autoridades venezuelanas, após os bombardeios de janeiro — aos quais se referiu como uma "operação militar extremamente bem-sucedida". Os ataques deixaram mais de 100 mortos, resultaram no sequestro do presidente Nicolás Maduro e provocaram danos materiais significativos.

Segundo Trump, graças à "relação renovada" de Washington com Caracas, que classificou como "verdadeiramente excelente", os Estados Unidos estão recebendo petróleo "sem nenhum custo para o contribuinte americano". Ele ressaltou ainda que esse é "apenas o primeiro carregamento de bilhões de barris que ainda estão por chegar".

Planos de anexação

Não é a primeira vez que Trump sugere que a Venezuela poderia se tornar parte do território americano e manifesta pessoalmente o desejo de que isso aconteça. Em fevereiro, durante um jantar oferecido na Casa Branca, ele declarou que a Venezuela "poderia se tornar o 53º estado", após mencionar que o Canadá e a Groenlândia poderiam ser o 51º e o 52º, respectivamente.

Posteriormente, em maio, o presidente voltou ao assunto em declarações à Fox News e recebeu uma resposta da presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez: "Isso não está previsto e jamais estaria previsto, porque, se há algo que nós, venezuelanos, temos, é o amor pelo nosso processo de independência e pelos nossos heróis e heroínas".

Além disso, em agosto, Trump publicou um mapa no qual o território venezuelano aparecia colorido com a bandeira americana e acompanhado da inscrição "estado 51". Rodríguez já havia descartado novamente essa possibilidade em uma entrevista divulgada em meados de julho, na qual afirmou que essa proposta "não está correta", pois a Venezuela acumula "mais de dois séculos de independência e soberania".

"O povo venezuelano sempre defenderá sua independência, a integridade territorial e a Venezuela como um todo. Não se trata apenas de um território: trata-se da identidade e da história de um país", enfatizou na ocasião.