
Europa quer reduzir dependência militar dos EUA após polêmica com Starlink na Ucrânia

Autoridades europeias estão ampliando as discussões visando a redução da dependência de tecnologias americanas no setor de defesa, após a polêmica envolvendo restrições ao uso do serviço de satélites Starlink na Ucrânia, informou a Bloomberg, com base em fontes a par das negociações.

O debate ganhou força após Elon Musk afirmar que a SpaceX tomou medidas porque as forças ucranianas usavam o serviço para realizar ataques com drones destinados a matar pessoas, em violação aos termos de uso.
O episódio provocou um novo embate público entre o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, e o presidente americano Donald Trump, além de ser discutido na cúpula de líderes da União Europeia (UE), em meados de outubro.
Entre as alternativas em estudo está o uso temporário de sistemas de comunicação já pertencentes aos governos europeus, enquanto o bloco desenvolve uma rede própria e segura de satélites. No entanto, a transição deve durar anos, devido à profunda dependência dos sistemas americanos.
No curto prazo, outra opção seria ampliar a participação europeia nas estruturas de defesa existentes, como a OTAN.
Na semana passada, o embaixador americano junto à UE, Andrew Puzder, advertiu que empresas europeias poderiam sofrer represálias “devastadoras” dos EUA caso o bloco avance com os planos para restringir o acesso de concorrentes americanos, como a SpaceX, a determinados setores do mercado europeu.
Mais preocupações
As preocupações também abrangem o fornecimento de armamentos e o acesso a informações militares. Segundo a Bloomberg, os atrasos na entrega de sistemas norte-americanos, como os lançadores de foguetes HIMARS, alimentaram dúvidas sobre a confiabilidade de Washington.
No entanto, um porta-voz da UE afirmou que não houve mudanças na política dos EUA em relação ao compartilhamento de inteligência, nem quanto a outras capacidades relacionadas ao conflito na Ucrânia.
- A restrição começou em 14 de outubro, depois que Trump e Musk manifestaram descontentamento com os ataques ucranianos contra refinarias de diesel russas. O presidente norte-americano atribui o aumento dos preços da energia a essas operações, embora a maioria dos analistas aponte a guerra com o Irã como um fator de maior impacto.
Após o início das restrições, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, acusou Washington, em diversas ocasiões, de promover uma "operação planejada" para enfraquecer as defesas de seu país e classificou a medida como "absolutamente absurda".
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou na sexta-feira (16) as acusações de Zelensky de que Washington havia limitado o acesso ao Starlink. Também afirmou que, pelo que sabia, "tudo continua igual" e questionou se o funcionamento do serviço havia sido interrompido em algum momento.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também questionou, no sábado (18), o líder do regime de Kiev. "Não tenho certeza de que Zelensky saiba do que está falando", declarou. Rubio acrescentou que a Casa Branca não tem relação com a redução da velocidade do Starlink.

