
Crise no Paraguai: banco digital ligado ao presidente quebra e derruba chefe do Banco Central

O Banco Central do Paraguai interveio no banco digital Ueno Bank devido a grave insuficiência de capital, suspendendo seus serviços e deixando correntistas sem acesso imediato ao dinheiro, conforme reportado pela Bloomberg Línea.
A instituição, ligada ao presidente Santiago Peña, é a maior emissora de cartões de crédito do país e atendia cerca de 2,6 milhões de clientes, aproximadamente um em cada três paraguaios. Além disso, o banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo fundos de aposentadorias e outras verbas estatais.

A crise levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno até agosto de 2023. O próprio presidente Peña solicitou sua saída após os fatos virem a público.
O Ministério Público abriu uma investigação criminal sobre o caso e a Justiça paraguaia determinou a prisão de oito dirigentes, incluindo o presidente do banco, Miguel Vázquez, que se entregou à polícia.
Longas filas se formaram em frente às agências do Ueno, com clientes impedidos de acessar suas contas. A capital paraguaia, Assunção, foi tomada por protestos em frente à instituição financeira, onde manifestantes carregavam cartazes pedindo o impeachment de Peña.
O presidente do país, que assumiu em 2023, foi sócio do grupo controlador do Ueno, o grupo Vázquez, até março de 2025.
Segundo declarações do senador oposicionista Rafael Filizzola à imprensa, o presidente "tem participação direta", apontando que mesmo antes de seu mandato foram flexibilizados "os mecanismos das leis anticorrupção, criou-se o banco [Ueno], do qual [Peña] era acionista e depois renunciou à participação diante das pressões", afirmou.
"Quase todos os recursos públicos e as economias do Estado foram direcionados ao banco. Sua ligação com esse escândalo é direta", acusou.
Peña cancelou uma viagem a Madri para a 30ª Cúpula Ibero-Americana e anunciou acordo com o Congresso para acelerar projeto que autoriza uso do Fundo de Garantia para pagamento aos depositantes, garantindo um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 9.200).
