
Abdul El-Sayed vence com folga em Michigan e se torna primeiro senador muçulmano dos EUA

O médico democrata Abdul El-Sayed, de 42 anos, fez história nos EUA ao vencer a disputada corrida pelo Senado no estado de Michigan, derrotando o republicano Mike Rogers e se tornando o primeiro senador muçulmano do país.
🇺🇸❗ Abdul El-Sayed VENCE COM FOLGA em Michigan e se torna primeiro senador muçulmano da história dos EUA ☪️ 🗳️ Com mais de 90% das urnas apuradas, El-Sayed declarou vitória com liderança de 52,2% dos votos contra 45,8% do republicano Mike Rogers. https://t.co/ZjMzjgTPTN
— RT Brasil (@rtnoticias_br) November 4, 2026
El-Sayed declarou vitória pelo resultado matematicamente garantido com mais de 70% das urnas apuradas, após liderar com 51,9% dos votos contra 46,1% do adversário, segundo a Associated Press.

Filho de imigrantes egípcios nascido na cidade de Rochester Hills, El-Sayed sucederá o democrata Gary Peters, que se aposenta após ocupar a cadeira desde 2015. A vitória representa marco simbólico e político: além de quebrar barreira religiosa inédita no Senado americano, consolida ascensão da ala à esquerda do Partido Democrata em um estado considerado decisivo.
Michigan esteve no centro das controvérsias sobre políticas anti-migratórias de Trump nos últimos meses meses, abrigando o North Lake Processing Center em Baldwin, o maior centro de detenção do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) na região. El-Sayed defendeu desde 2018 a abolição da agência, intensificando críticas após mortes de cidadãos americanos em operações.
Islamismo no centro da campanha
O presidente Donald Trump chamou El-Sayed de "jihadista", alegou falsamente que ele pertencia à Irmandade Muçulmana* e sugeriu que precisaria passar por detector de metais para entrar no Capitólio.
Em comício, Trump afirmou: "Se Abdul e os democratas vencerem, abrirão as comportas e convidarão hordas de jihadistas para nossas praias". Rogers, seu oponente, endossou acusações similares, repetindo alegações infundadas sobre supostos vínculos familiares do democrata com a organização extremista.

El-Sayed respondeu às ofensivas afirmando que os ataques miravam "a própria ideia de América" e criticou adversários por usarem seu nome e fé para desviar atenção de questões econômicas concretas.
Em discurso de vitória, o senador eleito se dirigiu diretamente às ofensas do presidente: "Para você, é 'Senador Mohamed', amigo".
*Designado como grupo terrorista e proibido na Rússia.
Plataforma progressista e divisões no partido
Formado em medicina pela Universidade Columbia e ex-diretor de saúde de Detroit e do Condado de Wayne, El-Sayed construiu campanha centrada no acesso universal à saúde pública pelo projeto Medicare for All, taxação de fortunas e fim da ajuda militar americana a Israel.
Sobre Gaza, o senador eleito apontou as ações israelenses como genocídio e defendeu redirecionamento de recursos militares para educação e saúde domésticas.
Como um tópico proverbial de tensão, o tema do genocídio palestino pautou mesmo a disputa das primárias partidárias contra a deputada Haley Stevens, derrotada por El-Sayed em agosto apesar do investimento recorde do lobby pró-Israel AIPAC na escala de US$ 30 milhões à campanha de Haley.

A deputada ainda surpreendeu ao endossar o republicano Mike Rogers dois dias antes das eleições de meio de mandato, alegando preocupações com antissemitismo, o que provocou revolta entre correligionários. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou o gesto de Haley como uma "traição desprezível".
Apesar das controvérsias, El-Sayed consolidou apoio de figuras progressistas como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, e recebeu respaldo do ex-presidente Barack Obama na reta final. Sua eleição intensifica debate sobre direcionamento do Partido Democrata e viabilidade eleitoral de candidatos progressistas em estados indecisos.

