O negociador americano Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações sobre a Ucrânia têm como objetivo estabelecer uma nova arquitetura de segurança capaz de assegurar uma solução duradoura para o conflito.
"Estamos trabalhando arduamente com todas as partes para encontrar um caminho para uma paz duradoura", escreveu Kushner em sua conta no X, referindo-se aos esforços conduzidos sob orientação de Trump.
Ele acrescentou que as conversas não buscam apenas encerrar o conflito ucraniano, mas também "estabelecer uma arquitetura de segurança mais ampla, necessária para garantir que, quando os combates cessarem, não sejam retomados".
As declarações foram feitas após o anúncio de que Rússia e Ucrânia realizarão negociações com mediação dos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, conforme informou o enviado especial da Casa Branca, Steven Witkoff.
Segundo Witkoff, as discussões abordarão os acordos de segurança para o período posterior ao conflito, a redução das tensões, os esforços humanitários e os próximos passos rumo à paz.
Situação das negociações sobre o conflito ucraniano
Negociadores norte-americanos participaram de conversas realizadas em Oslo com Vladimir Zelensky. Durante a reunião, Estados Unidos, Ucrânia e Europa definiram uma posição coordenada sobre os próximos passos para solucionar a crise e abordar as relações com a Rússia.
Witkoff se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, em São Petersburgo. Ao comentar as negociações, o assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou que o principal assunto discutido foi o conflito ucraniano. Ele também declarou que Moscou está pronta para realizar negociações trilaterais com Kiev e Washington.
Ushakov também comentou a possibilidade de o conflito terminar em breve. "Não sei até que ponto estamos nos aproximando, mas as coisas estão caminhando nessa direção", declarou.
Putin afirmou em diversas ocasiões que Moscou está comprometida a encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Para isso, ressaltou que, em primeiro lugar, é necessário garantir a segurança da Rússia a longo prazo, eliminando as causas profundas do conflito. Entre elas, citou a expansão da OTAN, o que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares. A proposta também exige que Kiev reconheça esses territórios, além da Crimeia e de Sebastopol, como integrantes da Federação Russa. Entre as demais condições estão a neutralidade, o não alinhamento a blocos militares, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.