Governo Lula teme violência no Paraguai após renúncia de Peña, dizem assessores

Planalto não desejava a queda do presidente paraguaio e espera manter relações com Pedro Alliana, apesar da crise política no país.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teme que a crise política no Paraguai, após a renúncia de Santiago Peña, provoque manifestações violentas e novos episódios de instabilidade no país. A principal preocupação do Palácio do Planalto é que a transição para o governo do vice-presidente Pedro Alliana ocorra sem conflitos. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles.

Segundo assessores do Planalto que atuam na área internacional, o Brasil não tinha interesse na queda de Peña, apesar de seu alinhamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula e o presidente paraguaio mantinham uma boa relação.

A avaliação desses auxiliares é que o novo governo deve priorizar o diálogo entre as forças políticas para garantir uma transição pacífica. O objetivo é evitar que a crise se prolongue e provoque novos episódios de instabilidade política e social.

A preocupação brasileira também considera a extensa fronteira entre os dois países, descrita como porosa, e a presença de uma numerosa comunidade de brasileiros em território paraguaio.

Na avaliação de integrantes do governo Lula, a crise foi agravada por uma disputa interna no Partido Colorado, especialmente após o rompimento de Peña com o grupo político ligado ao ex-presidente Horacio Cartes.

Relações bilaterais

Os assessores também apontam que a crise no sistema bancário paraguaio aprofundou o desgaste do governo de Peña e ampliou a insatisfação popular, sobretudo entre a população de menor renda.

Apesar da mudança na Presidência, o Planalto considera que a chegada de Pedro Alliana ao poder não deve provocar alterações significativas nas relações bilaterais. O Brasil pretende manter uma relação construtiva com o novo governo, independentemente das disputas políticas internas.

A principal dúvida entre os auxiliares de Lula é se a troca de presidente será suficiente para conter a crise ou se Alliana também enfrentará questionamentos políticos. Para o governo brasileiro, o cenário desejado é uma solução negociada que preserve a estabilidade do Paraguai, um dos principais parceiros do Brasil no Mercosul.