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Presidente do Paraguai renuncia em meio a escândalo envolvendo banco

A pressão sobre o presidente aumentou quando deputados da oposição e dissidentes do Partido Colorado pressionaram por seu impeachment por suposta má conduta.
Presidente do Paraguai renuncia em meio a escândalo envolvendo bancoJorge Saenz / AP

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia em meio à crise desencadeada pela insolvência do Banco Ueno e sua posterior intervenção, além dos pedidos de impeachment contra o chefe de Estado.

A pressão sobre Peña aumentou depois que parlamentares da oposição e dissidentes do Partido Colorado passaram a defender seu afastamento por suposta má conduta.

O ex-presidente Horacio Cartes, atual líder da Associação Nacional Republicana (ANR), conhecida como Partido Colorado, apoiou a iniciativa. O presidente do Senado, Basilio Núñez, também pediu que Peña deixasse o cargo.

"Como chefe do Congresso Nacional, não compactuaremos com o saque de recursos públicos e privados, nem com o uso indevido das economias de poupadores e aposentados", declarou Núñez em suas redes sociais.

A pressão sobre o presidente aumentou quando membros da oposição no Congresso e dissidentes do Partido Colorado pressionaram por seu impeachment por suposta má conduta. A moção estava em andamento no Congresso.

"Tomei a decisão de renunciar à presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", declarou o presidente nas redes sociais. "Quero pedir desculpas ao povo. Se falhei em algum momento, nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim", acrescentou.

Ele também assegurou que sua prioridade será "a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias" ao sistema financeiro, em meio à crescente ansiedade com o colapso da instituição bancária, agora sob intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP).

"Por trás de cada depósito, há anos de esforço, sacrifício e projetos familiares. Meu maior desejo é que o retorno desses recursos seja garantido, que o fundo de garantia de depósitos cumpra seu propósito e que os fundos e recursos públicos pertencentes a todos os paraguaios sejam protegidos", declarou o político.

Presidente em xeque

Uma investigação jornalística, publicada em 17 de outubro, revelou que a Ueno Holding Saeca, uma empresa ligada ao Ueno Bank, pagou, pelo menos até março de 2026, a quantia astronômica de 30 bilhões de guaranis (cerca de US$ 4,95 bilhões) a uma empresa na qual Santiago Peña figurava como acionista.

Além disso, em setembro de 2023, quando seu governo estava apenas começando, Peña nomeou Carlos Carvallo, um ex-diretor da Financiera Ueno, para o cargo de presidente do Banco Central do Paraguai (BCP). A partir daquele momento, Carvalho deveria supervisionar se seu antigo empregador cumpria as leis financeiras — o que não ocorreu.

A partir da chegada de Peña à presidência e de Carvallo ao BCP, o Ueno Bank passou a receber fundos multimilionários do Instituto de Previdência Social, órgão estatal, para pagar as aposentadorias, o que resultou em lucros exorbitantes para os banqueiros que foram detidos nesta semana.

Carvallo foi forçado a renunciar devido ao escândalo, porém a investigação sobre sua suposta responsabilidade nas irregularidades financeiras do Ueno Bank está ainda em fase inicial. Peña também foi duramente questionado no início da sessão extraordinária que a Câmara dos Deputados convocou para debater o projeto de lei que visa viabilizar pagamentos rápidos aos clientes do banco, em especial aos aposentados.

O que aconteceu?

A crise começou na madrugada de 3 de novembro, quando o BCP anunciou a intervenção no Ueno Bank devido à "insuficiência de seu índice de solvência", ou seja, o banco não possuía fundos suficientes para operar, embora não tenha declarado formalmente falência.

Imediatamente, o aplicativo do banco, assim como seus sites, todos os seus canais de comunicação e os cartões de débito e crédito deixaram de funcionar, o que causou angústia a milhões de clientes.

Políticos, meios de comunicação e cidadãos em geral começaram a falar em "golpe", "tragédia", "fraude" e responsabilizaram diretamente Peña devido às ligações que ele mantinha com o banco. "Santiago Peña tem que estar preso", disparou o deputado da oposição Raúl Benítez.

Nas horas frenéticas que se seguiram ao anúncio da intervenção, as agências do Ueno foram invadidas, enquanto o BCP garantia que as economias dos clientes estavam protegidas pela "solidez" do sistema financeiro e que seriam devolvidas em até 15 dias. Apesar da declaração, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar e exigir a devolução imediata de seus recursos.

Em 4 de novembro, manifestantes voltaram a tomar as ruas ao grito de "queremos nosso dinheiro", exigindo que os valores fossem devolvidos às mais de 2,9 milhões de pessoas afetadas.

Segundo a mídia local, policiais utilizaram balas de borracha contra os presentes nos protestos. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre detidos e feridos durante os confrontos.

Detenções

Um dos setores especialmente afetados é o dos idosos que recebiam suas aposentadorias no Ueno e que, de repente, ficaram sem nada. Em resposta, o Instituto de Previdência Social (IPS) prometeu que abriria novas contas para garantir os pagamentos.

O Ministério Público do Paraguai, por sua vez, prendeu oito executivos do Ueno Bank que são acusados de fraude, suposto abuso de confiança e conduta imprópria em situações de crise.

Peña, por sua vez, demorou várias horas para se pronunciar publicamente. E o fez por meio de uma mensagem nas redes sociais, na qual informou a renúncia de Carvallo do cargo de presidente do Banco Central do Paraguai. Ele também prometeu que os poupadores recuperarão seus recursos e garantiu que as aposentadorias não estavam em risco.