Uma nova obra sugere que a fortuna do renomado físico Isaac Newton pode ter sido, em parte, alimentada pelo ouro extraído do Brasil. Durante seu tempo na Casa da Moeda britânica, em Londres, Newton teria lucrado com o metal precioso que, segundo o autor, era proveniente de trabalho escravo. As informações são da Folha de São Paulo em matéria publicada recentemente.
O livro intitulado "Ricardo’s Dream: How Economists Forgot the Real World and Led Us Astray", escrito por Nat Dyer, explora a economia como uma ciência social que busca modelar as interações humanas. O autor utiliza a história de David Ricardo, um economista clássico, para discutir como a economia se desenvolveu como uma disciplina matemática.
Newton, que não se limitou a ser um acadêmico em Cambridge, ocupou o cargo de "master of the mint" na Casa da Moeda de 1696 até sua morte em 1727. Nesse papel, ele recebia uma quantia por cada moeda cunhada. Com o fluxo de ouro vindo de Portugal para a Inglaterra, especialmente após o Tratado de Methuen, é plausível que Newton tenha acumulado uma fortuna considerável.
Durante sua transição de carreira, Newton viu seu salário anual saltar de £100 para £3.500, valores que hoje equivalem a aproximadamente £36 mil e £1,26 milhão, respectivamente. Ao falecer, sua fortuna era estimada em £32 mil, ou cerca de £11,5 milhões em valores atuais.
A conexão entre Newton e o ouro brasileiro é reforçada por seus próprios escritos. Em 1701, ele mencionou que "não podemos obter ouro senão das Índias Ocidentais [América do Sul e Central] pertencentes à Espanha e a Portugal". Em 1715, ele afirmou que o ouro cunhado entre 1702 e 1712 "veio de Portugal e um pouco da Jamaica".
Embora seja amplamente reconhecido que o ouro brasileiro, que chegava à Inglaterra através de Portugal, era extraído por pessoas escravizadas, a questão de se Newton estava ciente da origem de sua riqueza é debatida. Dyer sugere que é provável que ele soubesse, afirmando que "podemos estar quase certos de que Newton sabia que o ouro que ele estava cunhando era produto da escravidão".
Pesquisadores que estudam a vida de Newton expressaram surpresa com a possível ligação entre ele e o Brasil. James Gleick, autor de uma biografia sobre Newton, afirmou não conhecer conexões pessoais do físico com a escravidão no Brasil, mas reconheceu o papel notório da Grã-Bretanha no tráfico transatlântico de escravos.
Eduardo Valadares, professor de física, observou que a exploração do ouro no Brasil ocorreu após a morte de Newton, enquanto Breno Arsioli Moura, professor da UFABC, destacou que, ao assumir a Casa da Moeda, Newton estava em um período de recunhagem de moedas, o que poderia ter contribuído para seu enriquecimento.