Ilhas Marshall: Cicatrizes radioativas — RT Reporta

As águas das Ilhas Marshall escondem o legado da maior campanha de testes nucleares dos EUA. Explosões devastaram o território, espalhando radiação e forçando o exílio de comunidades. A contaminação impede o cultivo e a pesca, enquanto doenças superam os dados oficiais. Com uma cúpula de resíduos se deteriorando perante o avanço do mar, resta o questionamento: como uma cultura sobrevive ao abandono enquanto sua própria terra permanece envenenada?

O que antes era um campo de testes nucleares para Washington é, para as Ilhas Marshall, uma nação envenenada. Décadas depois, o deslocamento, as doenças e a radiação continuam a moldar seu destino.

Trauma da chuva radioativa e o êxodo

Nas décadas de 1940 e 1950, os Estados Unidos usaram este arquipélago para detonar armas nucleares. O impacto foi devastador: no Atol de Rongelap, a explosão da bomba Castle Bravo em 1954 causou uma chuva radioativa que afetou toda a população, transformando os sobreviventes em objetos de estudo, tratados como cobaias.

O caso do atol de Bikini é igualmente trágico. Após ser evacuada em 1946 sob a promessa de proteger a humanidade, a ilha sofreu 67 detonações ao longo de 12 anos. O deslocamento da população nativa foi um calvário de fome e tentativas frustradas de realocação. Até hoje, 5 mil descendentes dos antigos habitantes do atol ainda não conseguem retornar ao local de seus antepassados, que ainda permanece inabitável.

O Domo de Runit e a crise sanitária permanente

O símbolo dessa negligência é o Domo de Runit, um sarcófago contendo 120 mil toneladas de resíduos radioativos, incluindo plutônio-239. A cúpula apresenta rachaduras e está vazando para o oceano; o governo dos EUA abandonou o monitoramento ambiental do atol.