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Rússia afirma na ONU que negociações sobre Ucrânia estão em ponto morto

Vassily Nebenzia denunciou a postura "parcial" das Nações Unidas e o apoio do Ocidente ao regime de Vladimir Zelensky.
Rússia afirma na ONU que negociações sobre Ucrânia estão em ponto mortoSelcuk Acar / Anadolu / Gettyimages.ru

O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, afirmou nesta terça-feira (19) durante uma reunião do Conselho de Segurança, que Moscou não vê nenhum sinal de Kiev indicando disposição para avançar de forma substancial rumo a uma solução para o conflito, e que o processo de negociações está "em um ponto morto".

"[O líder do regime de Kiev, Vladimir] Zelensky deve dar a ordem de cessar-fogo, retirar as Forças Armadas da Ucrânia das regiões russas, incluindo o Donbass, e passar a discutir parâmetros concretos de uma paz verdadeiramente abrangente, justa e duradoura", declarou.

Nebenzia acrescentou que, enquanto a Ucrânia não adotar essa postura, as Forças Armadas da Rússia continuarão alcançando os objetivos da operação militar especial.

Nesse contexto, afirmou que os países europeus apoiam ativamente a posição de Zelensky e acusou Londres e Bruxelas de terem apenas uma tarefa: "garantir que o conflito na Ucrânia continue, prolongá-lo o máximo possível e causar o maior dano possível à Rússia".

"Zombaria"

O diplomata também afirmou que a Europa "não tem um plano B" e classificou como uma "zombaria" as discussões sobre a possibilidade de a alta representante da UE, Kaja Kallas, atuar como mediadora. "Não pedimos mediadores, e menos ainda europeus", afirmou.

Além disso, o alto diplomata russo responsabilizou as Nações Unidas por permanecerem em um estado "completamente indefeso" devido a uma postura "parcial" e "antirrussa", afirmando que essa posição impediu a organização de contribuir para uma solução.

Ao mesmo tempo, Nebenzia disse que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, tenta ajudar e que o mandatário americano "aparentemente busca sinceramente" uma solução, embora tenha acrescentado que Washington possui "muitas outras prioridades".

O representante russo também acusou Kiev de não interromper "nem por um segundo" seus "ataques terroristas" contra civis e assegurou que utiliza meios de combate fornecidos por patrocinadores ocidentais, aos quais chamou de "cúmplices" da morte da população civil.

"Os patrocinadores ocidentais de Kiev sabem perfeitamente que os mísseis antiaéreos ucranianos, quando não atingem seus alvos, caem sobre instalações civis, provocando mortes e ferimentos entre civis ucranianos", declarou.

"Apesar disso, não apenas não fazem nenhum esforço para evitar possíveis tragédias, como fazem todo o possível para agravar o conflito: aumentam os fornecimentos de armamentos, transferem sua produção para seus territórios e fazem vista grossa ao uso do espaço aéreo de seus países para o sobrevoo de drones", acrescentou.

Garantir a segurança da população russófona

A retirada das tropas ucranianas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk — assim como das províncias de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022 — é uma dascondições centrais de Moscou para solucionar o conflito.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em diversas ocasiões que o país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana.

Em particular, o líder russo enfatizou que é necessário garantir, antes de tudo, a segurança da Rússia a longo prazo, motivo pelo qual considera importante eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, vista por Moscou como uma ameaça, e a violação dos direitos da população russófona na Ucrânia.

Além disso, a proposta de Moscou prevê que Kiev reconheça esses territórios, assim como Crimeia e Sebastopol, como sujeitos da Federação Russa.

Também devem ser garantidas a neutralidade, o não alinhamento, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.