
'Encarnação cínica da Doutrina Monroe': Rússia denuncia bloqueio de Cuba pelos EUA

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, condenou nesta quinta-feira (21) as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Cuba, descrevendo a atual política de Washington como "uma encarnação cínica da ressurgida Doutrina Monroe".

A diplomata destacou que Cuba continua sendo alvo de forte pressão econômica por parte dos EUA e condenou as novas restrições impostas no início de maio contra empresas de países terceiros que operam na ilha. Segundo ela, "as medidas representam mais um aperto na política de pressão de Washington, cujo principal objetivo é o estrangulamento econômico de Cuba".
"As tentativas do governo da Casa Branca de estreitar o cerco de sanções em torno de Cuba, juntamente com o bloqueio comercial, econômico, financeiro, humanitário e, mais recentemente, também petrolífero e energético, que se prolonga há anos, são um reflexo direto da intolerância de Washington em relação a qualquer dissidência, bem como a encarnação cínica da ressuscitada doutrina Monroe", afirmou Zakharova.
"Onde estão os direitos humanos? Onde está o respeito pelas pessoas? Onde estão a liberdade de opinião e a liberdade de expressão? Onde está tudo isso?", questionou.
A porta-voz destacou a ausência dos "conceitos mais elementares", ressaltando que "nem tudo é permitido" e que "existem a lei e a ordem, que colocam um freio a esse caos que está se desenrolando".
Total solidariedade a Cuba
"Estamos convencidos de que o heróico povo cubano, que em mais de uma ocasião demonstrou sua dedicação à causa da liberdade, da independência e da justiça social, e que deu provas de uma força e coragem surpreendentes diante dos desafios externos, manterá sua unidade e firmeza de espírito, e continuará defendendo com abnegação seus interesses nacionais", ressaltou Zakharova.
"Reafirmamos nossa total solidariedade a Cuba e condenamos veementemente qualquer tentativa de interferência flagrante nos assuntos internos de um Estado soberano, intimidação e o uso de medidas restritivas ilegais, ameaças e chantagem", concluiu.
Ameaça dos EUA a Cuba
Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas a países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma quadrilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado por inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.

