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Menos Washington, mais Moscou: EUA reduzem presença diplomática na África

Decisão do governo Trump reduzirá mais da metade das embaixadas e consulados capazes de processar vistos norte-americanos. Enquanto isso, a Rússia se aproxima de cobertura diplomática total na África.
Menos Washington, mais Moscou: EUA reduzem presença diplomática na ÁfricaGettyimages.ru / Vladimir18

O governo dos Estados Unidos anunciou uma redução drástica na capacidade de processamento de vistos em países africanos, de acordo com reportagem desta segunda-feira (1º) da agência AP.

A medida contrasta com a estratégia russa de ampliar a presença diplomática e as parcerias com nações do continente.

O Departamento de Estado dos EUA pretende reduzir de quase 50 para apenas 20 os postos diplomáticos africanos autorizados a processar pedidos de visto para entrada no país, segundo três oficiais norte-americanos e um memorando interno obtido pela AP.

A mudança está no contexto da política migratória do governo de Donald Trump, que busca endurecer o controle sobre a concessão de vistos de imigração e de permanência temporária. A previsão é que as alterações entrem em vigor ainda em junho.

Assim, cidadãos de dezenas de países que hoje contam com atendimento local terão de se deslocar para outro país para concluir seus processos de visto.

Embora as seções consulares continuem funcionando nos países excluídos da lista, os serviços serão restritos à assistência a cidadãos norte-americanos, emergências consulares e casos específicos de interesse nacional.

Os centros que continuarão processando vistos incluem cidades estratégicas como Lagos, na Nigéria; Nairóbi, no Quênia; Luanda, em Angola; Adis Abeba, na Etiópia; Dacar, no Senegal; e Joanesburgo, na África do Sul.

Expansão russa

Enquanto Washington reduz sua infraestrutura consular, Moscou avança na direção oposta. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, anunciou em maio que o país está próximo de completar sua rede diplomática em todo o continente africano.

Segundo Lavrov, a Rússia mantém atualmente 45 embaixadas em funcionamento na África e trabalha na abertura de novas representações na Gâmbia, Libéria, Togo e Comores.

Em 2025, Moscou inaugurou novas embaixadas no Níger, Serra Leoa e Sudão do Sul, reforçando sua presença no continente.

Lavrov destacou que 81 regiões russas mantêm algum tipo de cooperação com parceiros africanos e confirmou os preparativos para a terceira cúpula Rússia-África, prevista para outubro, em Moscou. O encontro deverá aprovar um novo plano de cooperação entre a Rússia e os países africanos válido até 2029.